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Cancelamento de Festival de Cannes deixa cidade "órfã", diz Libération

La Croisette à Cannes, pendant le confinement, le 18 mars.
La Croisette à Cannes, pendant le confinement, le 18 mars. REUTERS/Eric Gaillard
Texto por: RFI
3 min

Em tempos normais, a imprensa francesa e mundial falaria muito de um grande evento cultural: o Festival de Cinema de Cannes. A partir de 12 de maio, os holofotes estariam focados na Riviera Francesa, na Croisette, nos degraus do Palácio dos Festivais. Este ano, o silêncio e a desolação da população local reinam diante das consequências da pandemia provocada pelo Covid-19. O jornal Libération foi conferir.

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Primeiramente adiado para junho, os organizadores de um dos maiores encontros cinematográficos do planeta finalmente jogaram as toalhas - não vai ter festival de Cannes este ano.

Nada do famoso tapete vermelho e centenas de fotógrafos e turistas se acotovelando para tentar ver algum astro ou estrela do cinema, conta a reportagem do Libé. Na fachada do mítico teatro que faz papel de centro nevrálgico do festival, um imenso cartaz, ao invés do tradicional pôster do ano, diz: “Obrigado ao pessoal da saúde”.

O jornal francês conversou com um fotógrafo veterano, Gilles Traverso, que relata: “Haveria uma multidão neste momento, com muitas sessões de fotos. É a primeira vez em 44 anos que não vou estar diante dos degraus”. Ele acrescenta: “Cannes é a segunda cidade mais conhecida da França, depois de Paris. É estranho que ela se torne uma cidade de interior como outras”.

90 mil diárias de hotel canceladas

Sem o festival de cinema, a cidade deixa de ganhar € 196 milhões (mais de R$ 1,2 milhão) de dividendos. E fica sem receber 125 mil convidados e 12 mil profissionais. São 90 mil diárias de hotéis canceladas, lembra ainda o jornal francês. “Nenhuma entrada de caixa em maio. Zero”, lamenta Christian Giordano, vice-presidente do sindicato da hotelaria em Cannes.

Não só de festival de cinema vive Cannes. São outros 52 grandes eventos profissionais durante o ano, incluindo salões de publicidade, como o famoso Lions, o Leão de Cannes. Os que aconteceriam de março a junho já foram todos cancelados ou adiados.

Libération continua a lista dos órfãos de Cannes, os abandonados e desolados. “São 500 restaurantes para uma pequena população de 70 mil habitantes”, diz um representante do setor.

Hotéis e restaurantes estão vazios

Os grandes hotéis de luxo à beira-mar são navios-fantasma, como o Majestic, o Martinez e o Carlton. As praias particulares estão fechadas. O serviço de transportes, principalmente os taxistas, também sofrem com a baixa de demandas, um baque de menos 85% de trabalho.

Mas o jornal Libération constata a presença de “duros na queda”, os fãs do evento que circulam com enormes óculos escuros, legging com estampa felina, sacolas de compras de marcas de luxo. Como Béatrice, uma sexagenária que não perde um festival. “Moro perto e amo a música o glamour. Assim que o maldito vírus desaparecer, vou aproveitar em dobro”, promete. No entanto, seu marido retruca: “Eu costumo fugir da agitação, só estou aqui porque não tem festival”.

 

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