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Um pulo em Paris

Governo francês decide realizar segundo turno de eleições municipais dia 28 de junho

Áudio 06:36
O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe (à esquerda), ao lado do ministro do Interior, Christophe Castaner, e diante dos poucos jornalistas autorizados, durante anúncio da data do segundo turno das eleições municipais.
O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe (à esquerda), ao lado do ministro do Interior, Christophe Castaner, e diante dos poucos jornalistas autorizados, durante anúncio da data do segundo turno das eleições municipais. REUTERS - BENOIT TESSIER
Por: Silvano Mendes
10 min

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou nesta sexta-feira (22) a realização do segundo turno das eleições municipais no país. O voto está previsto para 28 de junho. Esse pleito, que deveria ter acontecido em março, havia sido adiado por causa da pandemia de coronavírus.

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"Depois de pesar os prós e contras, acreditamos que a vida democrática também deve recuperar todos os seus direitos", afirmou o premiê em discurso transmitido pela televisão. No entanto, o chefe do governo frisou que a decisão pode ser revisada caso a propagação do vírus se acelere novamente no país.

A cautela de Edouard Philippe durante sua declaração se deve ao fato que a França saiu de seu período de confinamento parcial há menos de duas semanas. O país, um dos mais atingidos pelo vírus na Europa, ainda se recupera da pandemia.

Mesmo se há uma queda no balanço de vítimas fatais nos últimos dias, com 83 óbitos registrados na quinta-feira (21), e uma baixa no número de pacientes nas UTIs, a França ainda não venceu a pandemia que deixou mais de 28 mil mortos desde janeiro, quando os primeiros casos de Covid-19 foram registrados.

Máscaras obrigatórias nas zonas eleitorais

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, informou que o ritual democrático será adaptado diante do contexto sanitário. “Vamos ter que nos organizar de uma forma diferente”, disse o ministro, incitando os candidatos a fazerem campanha usando suportes digitais, já que os comícios não serão autorizados. Além disso, no dia do voto, o uso de máscaras será obrigatório nas zonas eleitorais.

O segundo turno das eleições municipais francesas deveria ter sido realizado em 22 de março, mas foi adiado por causa da pandemia. O primeiro turno aconteceu em 15 de março, apenas dois dias antes do confinamento parcial do país. A decisão de manter o pleito quando a pandemia estava em plena fase ascendente foi muito criticada pela opinião pública, que acusou o governo que colocar os interesses políticos acima da saúde da população.  

Desde então, os candidatos que não foram eleitos já no primeiro turno esperavam uma decisão das autoridades. Segundo a Constituição, o prazo para a realização do segundo turno terminaria no final de junho. Se ultrapassasse essa data, o país teria que realizar novamente os dois turnos da eleição municipal nas cerca de 5 mil cidades que não elegeram seus prefeitos na primeira rodada.  

Críticas

Eric Coquerel, deputado da França Insubmissa (esquerda radical), o principal partido de oposição, contestou a decisão do premiê. “Há um risco sanitário, mas também para a democracia, já que o Executivo organiza uma eleição sem o direito à realização de uma campanha de verdade”, declarou o parlamentar nas redes sociais.

A urna eletrônica praticamente não existe na França, e mesmo se o voto não é obrigatório, uma parte da população defende a preservação do ritual da cédula de papel e da entrada na cabine para escolher seu candidato.

O voto por correspondência foi abolido do país em 1975. O uso dos Correios chegou a ser cogitado para esse pleito excepcional, mas o governo descartou a possibilidade, alegando “razões de segurança”.

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