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“Máscaras jogadas nas ruas podem estar contaminadas e servir de vetor da Covid-19”, diz infectologista

Após o relaxamento da quarentena, máscaras e luvas podem ser frequentemente vistas nas calçadas, praças e parques da França.
Após o relaxamento da quarentena, máscaras e luvas podem ser frequentemente vistas nas calçadas, praças e parques da França. © RFI/Mauricio Latorre

A epidemia do novo coronavírus transformou a paisagem de cidades de todo o mundo, onde as ruas foram esvaziadas durante a quarentena. Com muitos países relaxando as medidas de confinamento, a circulação volta pouco a pouco ao normal, mas com um novo agente poluidor: as máscaras cirúrgicas, que levam, em média, 400 anos para se desintegrar no meio ambiente.

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Nas redes sociais, publicações que mostram máscaras e luvas jogadas pelas ruas da França se tornaram frequentes após o fim gradual da quarentena. Em Paris, elas podem ser vistas pelas calçadas, praças, parques e até mesmo flutuando no rio Sena: um perigo para o meio ambiente, mas também para a saúde da população, explica o infectologista José Luis López Zaragoza, do hospital Henri Mondor, na capital francesa.

“As máscaras jogadas nas ruas podem estar contaminadas e servir de vetor da Covid-19”, alerta o médico, em entrevista à RFI. “Se uma criança ou funcionários da limpeza pública tiverem contato com o material infectado, pode acontecer um contágio”, reitera.

O especialista explica que a máscara evita a transmissão da doença porque, ao ser utilizada por um infectado, as secreções respiratórias e a saliva ficam retidas em sua parte interna. Zaragoza também lembra que o material, quando utilizado por uma pessoa saudável, também pode protegê-la, ao impedir que tenha contato com secreções de indivíduos com quem ela cruza. Neste caso, o vírus pode ser mantido na parte externa da máscara.

A advertência não serve apenas para as máscaras, mas também para lenços e luvas descartáveis, especialmente as de plástico “altamente contaminadoras e tóxicas para o planeta”. O médico lembra que “uma máscara cirúrgica pode levar até 400 anos para se desintegrar”.

Máscaras nos mares e oceanos

De fato, se esses materiais não forem recolhidos e reciclados corretamente, eles correm o risco de acabar em esgotos e nos oceanos, onde permanecerão durante séculos até se decompor. No início da pandemia, em fevereiro, máscaras e luvas já começavam a ser recolhidas nas ilhas Soko, em Hong Kong, pela Ong Ocean Asia.

Membros da organização frequentam ilhas desertas para recolher lixo, desde garrafas plásticas a geladeiras. Em um vídeo, o diretor de operações da Ocean Asia, Gary Stokes, afirma que a pandemia trouxe esse novo tipo de dejeto ao meio ambiente.

“Nada mais nos surpreende”, afirma ao mostrar a grande quantidade de máscaras recolhidas nas ilhas Soko. “Isso nos mostra que bastam de seis a oito semanas para que um novo objeto introduzido em massa na nossa sociedade vá parar no meio ambiente”, afirma.

Em um outro vídeo, gravado por Laurent Lombard, fundador da associação francesa Operação Mar Limpo, no litoral de Antibes, no sul do país, o cenário não é diferente. Além de latas de refrigerante e garrafas plásticas, as imagens do ambientalista mostram máscaras e luvas no fundo do Mar Mediterrâneo.

Segundo ele, é da responsabilidade de cada cidadão evitar esse tipo de poluição com um gesto simples: jogar esses materiais no lixo. “Sabendo que mais de dois bilhões de máscaras descartáveis foram encomendadas [na França], em breve teremos mais máscaras do que medusas nas águas do Mediterrâneo”, compara, em entrevista ao jornal Le Parisien.

Diante do problema, o Ministério do Meio Ambiente francês decidiu lançar nas próximas semanas uma campanha de comunicação para lembrar a população sobre o descarte correto deste material. Mas as autoridades podem ir mais longe: alguns vereadores cogitam um projeto de lei que permita penalizar em até € 300 pessoas que jogarem nas ruas equipamentos de proteção contra a Covid-19.

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