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Premiê francês anuncia reabertura quase total da França a partir de 2 de junho

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe (à esquerda), e o ministro da Saúde, Olivier Verán.
O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe (à esquerda), e o ministro da Saúde, Olivier Verán. REUTERS - POOL
Texto por: Adriana Moysés
6 min

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, anunciou nesta quinta-feira (28) a segunda etapa do plano de suspensão do isolamento adotado na França para combater a epidemia do coronavírus. Com praticamente todo o território pintado de verde para o vírus, à exceção de três departamentos em laranja – o que inclui a região parisiense –, escolas, parques, jardins, piscinas, ginásios esportivos, restaurantes e cafés poderão reabrir a partir de terça-feira, 2 de junho. "Os resultados são bons no plano sanitário, embora tenhamos de permanecer cautelosos", disse Philippe.

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As três regiões em laranja no mapa e que ainda preocupam o governo francês são Île-de-France, onde fica Paris, e dois territórios ultramarinos: a Guiana Francesa, na fronteira com o Brasil, e Mayotte, no oceano Índico. Nas demais áreas, o verde aponta que há pequena circulação do vírus, disponibilidade suficiente de testes de diagnóstico e baixa ocupação de leitos de UTI. Nas últimas três semanas, desde a adoção da primeira etapa de flexibilização do confinamento, em 11 de maio, a França tinha quatro regiões pintadas de vermelho para o coronavírus.

A partir de 2 de junho, "a liberdade se tornará a regra e a proibição a exceção", disse o primeiro-ministro. "A taxa de propagação da epidemia está, neste momento, sob controle", declarou o premiê, lembrando que a Covid-19 matou 28.600 pessoas no país. "Estamos em uma situação um pouco melhor do que esperávamos", acrescentou o chefe do governo. Mas Philippe destacou que a França "terá de lutar contra o impacto de uma recessão histórica". Ele lembrou que mais 800 mil pessoas perderam o emprego em abril, segundo dados oficiais divulgados hoje.

Na entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Olivier Verán, revelou que apenas 1,9% das pessoas testadas atualmente dão resultado positivo para o coronavírus. Verán garantiu que a França tem plena capacidade atualmente para testar a população, tendo superado a carência de exames. A "taxa de positividade" do Sars-CoV-2 permanece, portanto, baixa.

Cafés, restaurantes, salas de espetáculos, piscinas e academias de ginástica

Uma das medidas mais aguardadas pelos franceses era quanto à reabertura de cafés e restaurantes. Nas zonas verdes, todos os estabelecimentos poderão voltar a funcionar no dia 2 de junho. Clientes e pessoal terão de usar máscaras de proteção facial, e as mesas deverão acomodar no máximo dez pessoas.

Porém, nas áreas laranja, incluindo Paris, só abrirão a partir da semana que vem cafés e restaurantes que dispõem de terraços e áreas externas. Nos espaços internos a frequência continua proibida pelo risco de contágio.

Uma terceira etapa de flexibilização já está prevista para 22 de junho, quando todos os cinemas do país poderão voltar a funcionar.

O premiê também anunciou que, nas zonas verdes, piscinas, academias de ginástica, parques de diversões, salas de espetáculos e teatros poderão reabrir em 2 de junho. Nas zonas laranja, o que inclui Paris e sua região metropolitana, esses estabelecimentos terão de aguardar a terceira fase, em 22 de junho.

Viagens

As arbitragens foram realizadas na manhã de quinta-feira durante uma reunião do Conselho de Defesa, presidida por Emmanuel Macron. A regra que limitava os deslocamentos dos franceses a uma distância máxima de 100 km do domicílio será revogada na próxima terça-feira. O primeiro-ministro já havia dito na semana passada que os franceses podiam providenciar reservas para as férias de verão dentro do território.

Quanto a viagens para outros países da União Europeia, a reabertura das fronteiras internas do bloco será definida no dia 15 de junho. A França vai defender, se as condições sanitárias permitirem, a abertura das fronteiras internas para facilitar as viagens durante o verão, que no Hemisfério Norte vai até setembro.

Escolas

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, anunciou durante a coletiva a reabertura de todas as escolas e colégios do país na semana que vem, inclusive nas zonas laranja. No ensino médio, as escolas profissionalizantes vão retomar as aulas um pouco antes dos chamados liceus de ensino geral. Os estabelecimentos terão de respeitar medidas de distanciamento social e receberão, num primeiro momento, um número reduzido de alunos.

Poucos minutos antes do anúncio do governo, o site da prefeitura de Paris já anunciava que as praças, jardins e parques da capital serão reabertos a partir de 2 de junho. O comunicado informava que o parque Buttes-Chaumont estará novamente acessível ao público a partir da próxima terça-feira, das 7h às 22h, bem como o Jardim das Tulherias, entre o Museu do Louvre e a Praça da Concórdia, que receberá visitantes 24 horas a partir da mesma data.

A abertura dos parques e jardins de Paris foi objeto de uma amarga batalha entre a prefeita da capital, a socialista Anne Hidalgo, que era a favor da medida desde a suspensão do confinamento, no dia 11 de maio. Porém, o governo recusou a solicitação de Hidalgo, argumentando que Paris estava classificada em uma zona vermelha, o que representava alto risco de contágio.

Muitas vozes da oposição, alguns deputados da maioria governista e vários médicos também eram favoráveis à reabertura precoce dos parques e jardins da capital, pois viam um risco maior de contaminação em locais fechados, como os pequenos apartamentos de Paris.

Declínio contínuo da epidemia

Desde 11 de maio, quando a primeira etapa de flexibilização das medidas de restrição foram adotadas, a França registra um declínio contínuo no número de pacientes graves da Covid-19 em terapia intensiva (1.501 na quarta-feira, 54 a menos que no dia anterior). Desde o início de março, o vírus Sars-CoV-2 matou 28.596 pessoas (+66 em 24 horas). Quase a metade dos mortos são idosos que residiam em casas de repouso e outros estabelecimentos. "A circulação do vírus diminuiu bastante", de acordo com as primeiras conclusões do dispositivo de rastreamento do sistema público de saúde.

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