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Estudo francês aponta resultados positivos de antirreumático contra Covid-19

O grupo de pacientes que recibeu o anakinra teve uma rápida diminuição da necessidade de oxigênio após 7 dias de tratamento.
O grupo de pacientes que recibeu o anakinra teve uma rápida diminuição da necessidade de oxigênio após 7 dias de tratamento. AFP/Archivos

O medicamento anakinra, indicado normalmente para tratar doenças reumáticas, apresenta resultados "encorajadores" contra formas graves da Covid-19. O remédio reduz o risco de morte e a necessidade de respiração artificial, de acordo com um estudo francês publicado neste sábado (30).

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O resultado foi publicado na revista especializada The Lancet Rheumatology. O reumatologista Randy Cron, da Universidade do Alabama (Birmingham, Estados Unidos), escreve em seu comentário que a “redução significativa da mortalidade associada ao uso de anakirna contra a Covid-19 neste estudo é encorajadora”. Ele destaca o "perfil de segurança favorável" deste medicamento bem conhecido dos reumatologista e normalmente utilizado no tratamento de artrite reumatoide.

O objetivo da utilização do antirreumático é combater a "tempestade de citocina", uma reação inflamatória descontrolada que surge nas formas mais graves de pneumonia por Covid-19. Essa reação provoca a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), que ocorre quando os pulmões não fornecem oxigênio suficiente aos órgãos vitais e o paciente precisa de ventilação artificial.

O anakinra bloqueia uma das citocinas envolvidas nessa "tempestade inflamatória", a interleucina-1 (IL-1), aponta o estudo realizado pela equipe médica de Thomas Huet e colegas do Grupo Hospitalar Saint-Joseph de Paris (GHPSJ). Segundo os autores, a administração por injeção subcutânea durante 10 dias do antirreumático a 52 pacientes graves do coronavírus permitiu uma "redução estatisticamente significativa do risco de morte e da permanência na UTI para assistência respiratória por ventilação mecânica".

Resultados após sete dias de tratamento

Um quarto dos pacientes tratados com anakinra foram transferidos para reanimação ou morreram, em comparação com 73% entre os que não receberam o tratamento. O grupo de comparação foi composto por 44 pacientes que estavam na mesma instituição.

No grupo que recebeu o antirreumático, houve uma rápida diminuição da necessidade de oxigênio após sete dias de tratamento. "Na ausência de testes terapêuticos que incluam medicamentos imunomoduladores para nossos pacientes, a decisão (...) adotada para propor o anakinra, de acordo com os critérios de gravidade decididos por consenso, mudou rapidamente o aspecto da doença na enfermaria", explica o professor Jean-Jacques Mourad, coautor do estudo. "O benefício era “perceptível” diariamente", acrescentou.

"Atualmente, há uma dúzia de testes clínicos que exploram o bloqueio da citocina IL-1 associada à síndrome da tempestade inflamatória da Covid-19", informa o Dr. Randy Cron. Três pequenas séries de estudos (incluindo um italiano) relataram que o anakinra beneficia pacientes que contraíram a doença. "Mas este estudo fornece as evidências mais conclusivas até o momento de que o remédio pode beneficiar pacientes que sofrem da síndrome da tempestade de citocinas associada à Covid-19", afirmou o reumatologista americano.

O resultado positivo do teste francês com o antirreumático é publicado no momento em que a segurança e a eficácia do tratamento com hidroxicloroquina foram questionados por um estudo publicado na “The Lancet”, que levou a OMS e vários países a suspenderem a recomendação do antimalárico no tratamento contra o novo coronavírus.

(Com informações da AFP)

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