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"Já corri quando cruzei a polícia", diz ator de “Os Intocáveis” em manifesto contra racismo policial

O protagonista de "Os Intocáveis", Omar Sy, lançou um manifesto contra a violência e o racismo policial.
O protagonista de "Os Intocáveis", Omar Sy, lançou um manifesto contra a violência e o racismo policial. Jordan Strauss/Invision/AP - Jordan Strauss
Texto por: RFI
3 min

O premiado ator francês Omar Sy lançou um manifesto contra o racismo policial nesta quinta-feira (4). No texto, o protagonista do filme “Os Intocáveis” convoca a população a denunciar os abusos e a discriminação policial para construir “uma polícia digna da democracia”.

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Um dos atores e comediantes mais importantes da França atualmente, a tribuna de Omar Sy, publicada na revista L’Obs, relaciona o caso do norte-americano George Floyd, asfixiado até a morte por um policial, ao de Adama Traoré, um francês negro de 24 anos morto em 2016 dentro de uma delegacia.

Em meio aos protestos contra a violência policial nos EUA, cerca de 20 mil pessoas pediram justiça em Paris para o caso de Adama durante um protesto na última terça-feira (2).

“A morte de Adama Traoré é tão injusta e indigna quanto a de George Floyd. Estou muito satisfeito por estarmos conscientes disso hoje”, disse Sy. “Mas quantas outras famílias, menos numerosas, com menos apoio, terminaram destruídas diante uma justiça surda a seus pedidos, que desrespeita os direitos que deveria representar?”

O ator defende que “a morte de um homem no contexto do uso desproporcional e excessivo da força deve ser punida”.

Medo de morrer nas mãos da polícia

“George Floyd e Adama Traoré tinham uma coisa em comum: ambos eram negros e grandes, suas vidas se transformaram em horror em questão de horas. Por nada. Tenho 1,92 m de altura, sou negro, pareço com eles. O mesmo pode acontecer comigo amanhã? É possível que isso aconteça com meus filhos amanhã? Com seus filhos?”, questiona.

Filho de uma mauritana e de um senegalês, e nascido em uma área pobre da região metropolitana de Paris, Omar Sy afirma que já teve medo de morrer nas mãos da polícia.

“Esse medo sem nome, esse medo injustificado que toma nossas vidas, deve desaparecer. Conheço esse sentimento que devora o interior, vi na minha vida dramas relacionados à intervenção da polícia, quando eu era apenas um desconhecido. Como Adama Traoré, como Zyed e Bouna, que morreram aos 17 e 15 anos em Clichy-sous-Bois em 2005, corri quando cruzei o caminho da polícia. Eu não tinha um microfone para dizer quão real é esse medo. O de morrer nas mãos da polícia”, continua.

“Não importa quais sejam as ameaças ou as pressões, você nunca deve se calar novamente. Nenhuma palavra deve ser calada quando traz um discurso de justiça. Nossos líderes devem ouvir, entender e agir para mudar as coisas.”

Uma polícia digna da democracia

O ator pede que as pessoas denunciem a violência policial. “Não sejamos mais espectadores de um sistema violento, que enterra as memórias desses mortos no esquecimento.”

“Todos aspiramos a uma força policial digna de nossa democracia, uma força policial que proteja sua população, independentemente da cor da pele ou origem social. A mesma para todos, morem no centro da cidade ou nos bairros da classe trabalhadora. Uma força policial capaz, como vimos nos últimos dias nos Estados Unidos, de se juntar aos manifestantes, de se ajoelhar para denunciar a violência que sujou seu uniforme.”

O comediante defende que o futuro será melhor após as mudanças. “Todos nós dormiremos melhor. Faço um apelo à mudança, a pôr em xeque um sistema que não pode reivindicar justiça sem colocar fim à impunidade organizada que nos atormenta há décadas. Essa ordem estabelecida não é mais sustentável.”

#ReveillonsNous #UnissonsNous Voici mon appel à lire & partager ... et la pétition à signer ci dessous...

Publiée par Omar Sy sur Jeudi 4 juin 2020

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