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Durante funeral de Floyd, milhares vão às ruas na França contra racismo e violência policial

Cerca de 2.400 pessoas, segundo a polícia, participaram do protesto em Paris.
Cerca de 2.400 pessoas, segundo a polícia, participaram do protesto em Paris. AP - Francois Mori
Texto por: RFI
4 min

Várias cidades francesas foram palco nesta terça-feira (9) de protestos contra o racismo e a violência policial. Os manifestantes realizaram seus atos em homenagem ao norte-americano Georges Floyd, cujo funeral acontecia no mesmo momento em Houston (Texas), nos Estados Unidos.

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Pequenas manifestações foram registradas em Bordeaux, Lille, Grenoble, Dijon, Amiens, Mulhouse, Colmar e Metz, entre outras cidades. Em Paris, cerca de 2.400 pessoas, segundo a polícia, se reuniram na place de la République, no centro da capital francesa, em um protesto convocado pela ONG SOS Racismo.

Os participantes do ato parisiense colocaram um joelho no chão, em um gesto que acabou se tornando um dos emblemas dos protestos em homenagem a Floyd, um cidadão negro que morreu asfixiado por um policial branco durante sua detenção em Minneapolis, no final do mês passado. Os manifestantes também observaram 8 minutos e 46 segundo de silêncio, para lembrar o tempo que Floyd ficou sob o joelho do policial Derek Chauvin.

Vários representantes da classe política francesa, como Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, Olivier Faure, chefe do Partido Socialista, Fabien Roussel, secretário nacional do Partido Comunista, ou ainda o ecologista Yannick Jadot, participaram do ato.

Cartazes como dizeres como “eu digo não ao racismo” ou “homens brancos nascem livres e iguais” podiam ser vistos nos cortejos. A cantora francesa Camélia Jordana, que levantou recentemente uma polêmica ao acusar abertamente os policiais de “massacrarem” homens e mulheres negros, participou da manifestação parisiense e cantou "We shall overcome", um dos hinos do movimento de luta pelos direitos civis.

Já a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, que não participou na manifestação, se disse “extremamente preocupada ao ver a maneira como se mostra complacência com os movimentos que tentam importar no território nacional dos conflitos raciais”. Segundo ela, essa mobilização contaria “com o apoio da extrema esquerda”.

Manifestação não foi proibida, apesar da pandemia

Esse protesto, ao contrário das manifestações anteriores, não foi proibido pelas autoridades. Apesar do estado de urgência sanitária ligada à pandemia de Covid-19, que impede qualquer tipo de aglomeração pública, o ministro francês da Interior, Christophe Castaner, declarou pela manhã que “a emoção mundial, que é saudável sobre esse assunto, vai além das regras jurídicas”.

Durante o dia, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, também se pronunciou sobre o assunto, pedindo “respeito e confiança” na polícia, mas também “exigência” em um contexto de “grande emoção” após a morte de George Floyd. As declarações do chefe de governo são uma resposta às críticas recentes feitas à polícia francesa, que também vem sendo alvo de acusações de violência e racismo. A morte do norte-americano relançou o debate e, desde a semana passada, o país registra vários protestos nas ruas.

“A França e a polícia francesa não são racistas. Mas cada vez que um ato ou uma declaração se mostra racista, é importante que nosso país reaja”, completou Philippe.

A pedido do presidente Emmanuel Macron, o ministro do Interior anunciou uma série de medidas para melhorar a deontologia da polícia francesa.

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