Macron diz que racismo e discriminação são "flagelos que traem a universalidade republicana"

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta quarta-feira (10) que o governo seja "implacável" contra o racismo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta quarta-feira (10) que o governo seja "implacável" contra o racismo. POOL/AFP/Archivos

O presidente Emmanuel Macron se posicionou nesta quarta-feira (10) sobre o racismo e os movimentos de protesto que se espalharam pelo mundo após a morte de George Floyd, em 25 de maio. Essa é a primeira vez que o líder francês se pronuncia sobre a questão: um silêncio que vinha sendo criticado por opositores. 

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No conselho de ministros desta quarta-feira, o chefe de Estado declarou que o racismo é "uma doença que atinge toda a sociedade". Ele pediu que os representantes franceses sejam "implacáveis" sobre essa questão e "reforcem as ações" contra o preconceito devido às origens e à cor de pele dos cidadãos. 

"O racismo e a discriminação, flagelos que traem a universalidade republicana", afirmou o líder através da porta-voz do governo, Sibeth Ndiaye. 

No entanto, ao falar das manifestações na França, em homenagem a George Floyd e contra as violências policiais, "o presidente se recusou a participar de qualquer tipo de generalização", afirmou a porta-voz. Segundo ela, Macron "sublinhou que a maioria das forças de segurança da França não estão envolvidas" em incidentes racistas e violentos.

Por outro lado, o chefe de Estado "fez um apelo em prol da modernização das técnicas de abordagem e de intervenção neste momento de forte tensão". Macron "sublinhou a dificuldade da tarefa das forças de ordem e desejou que o trabalho de transparência e de melhora das práticas continue nas próximas semanas e meses", reiterou a porta-voz.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, também saiu em defesa das forças de segurança da França, afirmando que ele "não deixará jamais dizerem que a polícia é uma organização violenta ou racista". "Não quero que o medo mude de campo, não quero que a presunção passe daquele que causa problemas à ordem pública aos que a defendem", afirmou, defendendo uma "linha de equilíbrio" para ser "respeitoso e exigente" diante de "mulheres e homens que integram a polícia nacional".

Violências policiais em debate na França

As ações truculentas da polícia francesa foram questionadas durante todos os meses de manifestação dos coletes amarelos e voltaram ao debate depois da morte de George Floyd, nos Estados Unidos. Os franceses que participam das manifestações antirracismo também exigem explicações sobre a morte de Adama Traoré, morto em 2016 após uma perseguição policial. Até hoje, o caso não foi esclarecido. Segundo os policiais envolvidos no caso, o jovem morreu depois de ter sido imobilizado e sofrido uma parada cardíaca. 

Casos como os de Traoré não são raros. Em janeiro deste ano, o entregador Cédric Chouviat morreu após uma ação policial. Segundo a autópsia, o homem foi asfixiado e teve a laringe fraturada. Vídeos feitos por motoristas que testemunharam a intervenção mostram Chouviat sendo jogado no chão e depois sendo asfixiado. 

Outro caso que chocou a França foi o do adolescente Gabriel, de 14 anos. No dia 25 de maio, ele foi perseguido por um grupo de policiais depois de tentar roubar uma scooter em Bondy, nordeste de Paris. Na intervenção, o rapaz diz ter sido atirado no chão, onde foi imobilizado e recebeu chutes que atingiram seu olho e quebraram seus dentes. Com uma fratura no maxilar que também atingiu o olho esquerdo, ele teve de ser submetido a uma intervenção cirúrgica de três horas para ter os ossos da face reparados.

Pressionado, na segunda-feira, o ministro do Interior, Christophe Castaner, anunciou o fim das técnicas de interpelação da polícia chamadas de "estrangulamento". Segundo ele, a prática pode ser perigosa. Policiais também serão proibidos de se apoiar sobre a nuca de uma pessoa detida. “Peço, também, que o uso de câmeras seja reforçado durante essas verificações”, completou Castaner.

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