Abalado pela crise, Macron pensaria em renunciar para forçar novas eleições na França

Após a epidemia de coronavírus, Emmanuel Macron está estudando a melhor fórmula para se preparar para o final de seu mandato de cinco anos.
Após a epidemia de coronavírus, Emmanuel Macron está estudando a melhor fórmula para se preparar para o final de seu mandato de cinco anos. Ludovic Marin/Pool via REUTERS

Dois dias antes de seu próximo discurso solene à nação no domingo (14), e na perspectiva de uma nova etapa de seu mandato de cinco anos que ele está preparando, o presidente francês Emmanuel Macron terá que fazer escolhas políticas. E ele analisa "todas as opções", segundo informações do jornal francês Le Figaro.

Publicidade

Emmanuel Macron planejaria anunciar uma renúncia com o objetivo de  recuperar o controle da França, abalada no pós-pandemia de coronavírus? De qualquer forma, esta é a hipótese apresentada pelo jornal francês de direita Le Figaro. Segundo informações do diário, Macron teria levantado esta possibilidade durante uma videoconferência recente com o "primeiro círculo de financiadores de sua campanha de 2017 em Londres".

De acordo com um dos participantes desta reunião, citado pelo jornal, o chefe de Estado indicou que consideraria renunciar para provocar, "nas próximas semanas ou meses", uma eleição presidencial antecipada. "Estou certo de vencer, porque não há ninguém no campo oposto", ele teria assegurado, segundo o jornal.

O Eliseu inicialmente se recusou a confirmar essas informações pedindo cautela, antes de negá-las um pouco mais tarde. "O presidente da República nunca mencionou sua renúncia", disse a Presidência à agência AFP. Ele "nunca participou de uma videoconferência com doadores" durante a qual, segundo o diário, teria feito esses comentários.

Preparando-se para a "nova era"

“Renúncia, dissolução do Congresso Nacional ou referendo são opções políticas disponíveis para o presidente”, analisou a jornalista política Valérie Gas. Alguns dias atrás, no Palácio do Eliseu, foi admitido que todas as alternativas seriam levadas em consideração para preparar o que Emmanuel Macron chama de "nova era" do mandato presidencial. Mas sem referências à demissão. Além disso, trata-se de um cenário considerado irreal por uma fonte próxima ao primeiro-ministro francês, Édouard Philippe.

Tudo isso indica, em qualquer caso, que Emmanuel Macron está procurando dobrar todas as apostas políticas para se recuperar após a crise sanitária causada pela Covid na França.

A hipótese de uma mudança ministerial também é considerada. Enquanto isso, o chefe de Estado deve falar no domingo às 20h para elaborar uma primeira avaliação da crise, à medida que se aproxima uma nova fase da flexibilização da quarentena.

Uma segunda intervenção presidencial poderia então ser organizada entre o segundo turno das eleições municipais, em 28 de junho, e a Festa Nacional francesa no de 14 de julho que seria o momento perfeito para detalhar seus planos para o final do mandato presidencial.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.