ONG oferece recompensa de R$ 56 mil por pistas de matador de urso na França

Imagem do urso encontrado morto nos Pirineus, publicada no Twitter da ministra francesa da Transição Ecológica, Elisabeth Borne a 9 de Junho de 2020.
Imagem do urso encontrado morto nos Pirineus, publicada no Twitter da ministra francesa da Transição Ecológica, Elisabeth Borne a 9 de Junho de 2020. AFP - HANDOUT

Quem matou o urso cujo cadáver foi encontrado na última terça-feira (9) nos Pirineus franceses? Uma investigação foi aberta, mas a ONG Sea Sheherd resolveu oferecer uma recompensa de € 10.000 (mais de R$ 56.000) por pistas do responsável pela morte do animal. O caso relançou o conflito entre ecologistas e fazendeiros nessa região montanhosa entre a França e a Espanha.

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O urso-pardo, um jovem macho de 4 ou 5 anos, pesando entre 150 a 200 kg, foi morto a tiros. O corpo do animal foi encontrado perto da estação de esqui de Guzet. Ele não foi identificado porque não tinha, como os ursos naturais da Eslovênia que foram reintroduzidos nas montanhas do Pirineus, uma coleira de geolocalização.

A espécie, que está em grande risco de extinção, é protegida. Este é o segundo urso encontrado morto na região este ano. O primeiro, um macho acusado pelos ruralistas de vários ataques a rebanhos de ovelhas, morreu do lado espanhol dos Pirineus, mas a causa de seu óbito não foi divulgada.

Os ativistas pró-animais denunciam uma "caça ao urso". "Um novo passo foi dado nesse contexto de impunidade dos opositores radicais e violentos ao urso que nossas associações denunciam há vários anos", declararam em um comunicado conjunto várias associações que defendem a espécie, entre elas o Pays de l’Ours e Férus.

Investigação

A temporada de caça está fechada e as autoridades francesas abriram uma investigação por "destruição não autorizada de uma espécie protegida". O delito é passível de três anos de prisão e € 150.000 de multa.

A recompensa oferecida pela Sea Sheherd nesta quinta-feira (11) visa "motivar as pessoas que tenham informações sobre a morte do urso a ajudar no inquérito". "As informações serão transmitidas às autoridades responsáveis pelo caso e a recompensa será paga se o testemunho levar a condenação dos responsáveis", detalhou a ONG.

A entidade lembra que o último urso-pardo natural dos Pirineus, a fêmea Cannelle, foi abatida por um caçador em 2004. A presidente da Sea Sheherd, Lamya Essemlali, pede "sanções exemplares e dissuasivas".

Essa não é a primeira vez que a ONG oferece recompensas para elucidar crimes contra espécies protegidas. Em 2019, ela também propôs € 10.000 para encontrar os responsáveis pela decapitação de duas focas, encontradas mortos na Bretanha francesa. Dois marinheiros foram convocados pela justiça.

Queixa na justiça

A associação Rewild, cofundada pela Sea Shepherd, vai entrar com queixa na justiça contra a morte do urso-pardo. O Estado francês também vai pedir a abertura de um processo, informou a ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne.

A população de ursos-pardos-europeus no Pirineus é de apenas 50 indivíduos, um número que não garante a sobrevivência da espécie. A população começou a crescer a partir de 1991, com a reintrodução de animais vindos da Eslovênia, mas essa política alimenta tensões com os fazendeiros da região. Eles estimam que a presença dos ursos é incompatível com a atividade pastoral. 

A França adotou um "plano urso" para 2018/2019 que previa trazer mais animais, mas ele foi rapidamente enterrado pelo governo após a manifestação de ruralistas.

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