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Ex-patrão do atletismo mundial, Lamine Diack é julgado na França: “ele nada em dinheiro”

O ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, em sua chegada ao tribunal em Paris, em 10 de junho de 2020.
O ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, em sua chegada ao tribunal em Paris, em 10 de junho de 2020. AFP/Archives
Texto por: RFI
4 min

O Ministério Público francês pediu nesta quarta-feira (17) quatro anos de prisão e uma multa de € 500.000 contra o ex-chefe do atletismo mundial, Lamine Diack, em seu julgamento por corrupção no contexto do doping na Rússia.

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Os procuradores franceses exigiram uma sentença de cinco anos de prisão, uma multa de € 500 mil e um mandado de prisão contra seu filho Papa Massata, um poderoso ex-consultor de marketing da Federação Internacional de Atletismo, que sempre escapou da Justiça francesa e não compareceu a seu julgamento.

Durante suas requisições, o procurador François-Xavier Dulin concordou que a sentença exigida contra Lamine Diack, com idade avançada (87 anos), era significativa, mas que ele havia cometido "um grave crime, com violação da probidade, que causou danos em todo o mundo".

O ex-presidente, entre 1999 e 2015, da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e seu filho são julgados em Paris, com quatro outras pessoas, em particular por terem permitido adiar, a partir do final de 2011, sanções disciplinares contra atletas russos suspeitos de doping.

Seu objetivo, segundo os magistrados examinadores, era obter ajuda das autoridades de Moscou na renovação dos contratos de patrocínio e transmissão da IAAF com o banco estatal russo VTB e o canal público de TV RTR. Esses fundos também  teriam servido para financiar a oposição a Abdoulaye Wade durante as eleições presidenciais de 2012 no Senegal, finalmente vencidas por Macky Sall.

O Ministério Público da França pede que Lamine Diack seja condenado por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e quebra de confiança. Diack também é acusado de ter permitido que seu filho, processado por ocultar quebra de confiança, corrupção e lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, se apropriasse de vários milhões de euros nas negociações com os patrocinadores, o banco russo VTB, a Samsung coreana e o canal chinês CFTV, tributando suas empresas como intermediárias ou recebendo comissões "exorbitantes", às vezes mais de 20%.

Os dois procuradores dissecaram a cronologia dos fatos, enumerando os vários e-mails, cartas e transferências financeiras que confirmam as acusações de corrupção, e descrevendo a IAAF como um "paraíso de conflitos de interesse".

"Ele nada em dinheiro"  

"Lamine Diack nos disse que ele não era um homem rico. Mas ele está nadando em dinheiro", acusou um dos procuradores, François-Xavier Dulin. O negócio começou no início de 2010, com a chegada ao arsenal antidoping do passaporte biológico, o que permite detectar variações suspeitas de sangue. O processo antidoping envolveu a Rússia e, em novembro de 2011, uma lista de 23 atletas suspeitos foi estabelecida no departamento antidoping da IAAF.

Ao mesmo tempo, Lamine Diack, seu filho e um dos conselheiros do presidente da associação, Habib Cisse, fazia viagens frequentes a Moscou, onde o primeiro foi condecorado pelo então presidente russo, Dmitri Medvedev. 

A procuradoria solicitou três anos de prisão, incluindo 18 meses de sentença em sursis e € 100.000 de multa contra Habib Cissé, além da proibição de exercer a profissão de advogado.

Os procedimentos disciplinares continuaram, permitindo que vários atletas participassem das Olimpíadas de Londres em 2012. Alguns até venceram as provas (Kirdyapkin nos 50 km a pé, Zaripova nos 3.000 m de altitude), mas foram destituídos das medalhas.

Lamine Diack e o ex-chefe de antidoping da IAAF, Gabriel Dollé, admitiram durante o julgamento que atrasaram as sanções, garantindo que “queriam evitar um escândalo que contaminaria o atletismo e estragaria as negociações com os patrocinadores russos". Mas eles disseram não ter conhecimento no momento dos subornos supostamente pagos pelos atletas, da ordem de € 3,45 milhões, segundo os magistrados examinadores, para obter "proteção total".

O julgamento está marcado para terminar na sexta-feira (19) com os argumentos da defesa. 

 

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