Prefeita de Paris tenta se reeleger apostando em medidas contra circulação de carros e poluição

A prefeita de Paris Anne Hidalgo, usando uma máscara para se proteger do coronavírus em 9 de abril de 2020, diante da Basílica de Sacre Coeur em Paris.
A prefeita de Paris Anne Hidalgo, usando uma máscara para se proteger do coronavírus em 9 de abril de 2020, diante da Basílica de Sacre Coeur em Paris. Ludovic MARIN / AFP

A menos de duas semanas do segundo turno das eleições municipais no país, a prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, que tenta se reeleger, investe em um programa focado no meio ambiente. A votação deveria ter sido realizada em 22 de março, mas teve que ser adiada devido à epidemia de coronavírus. 

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O jornal Le Parisien desta quarta-feira (17) coloca os holofotes na candidata socialista. No primeiro turno, em 15 de março, foi ela quem saiu na liderança e obteve 29,3% dos votos, à frente da candidata da direita, Rachida Dati, do partido Os Republicanos, que conseguiu 22,7%. Agnès Buzyn, da sigla governista A República em Marcha, obteve 17,3% dos votos e chegou em terceiro lugar.

A poucos dias do segundo turno, a prefeita de Paris aposta alto nas propostas ecológicas vanguardistas que a torna tão adorada quanto detestada pelos parisienses. O diário destaca uma promessa anunciada na terça-feira (16) pela socialista e seu companheiro de chapa, o ecologista David Belliard: reduzir o limite de velocidade a 30 km/h nas ruas de Paris, com exceção de algumas grandes avenidas, como a Champs-Elysées. Em sua manchete de capa, Le Parisien pergunta se Hidalgo está indo longe demais com essa nova iniciativa contra a poluição. 

A proposta foi revelada em um documento intitulado "Manifesto", no qual a socialista explica que é preciso tirar lições das crises sanitária e climática para transformar a capital francesa. Le Parisien destaca outras propostas inovadoras de Hidalgo para reduzir a circulação de veículos em Paris, como seus projetos de criação de florestas urbanas aos pés da Torre Eiffel ou a perenização das chamadas "coronapistas", as ciclovias criadas de forma temporária durante a epidemia para proporcionar mais espaço às bicicletas. 

Percebendo o interesse de boa parte dos eleitores por uma Paris mais verde, as outras candidatas à prefeitura da capital também resolveram apostar em propostas em prol do meio ambiente. Agnès Buzyn promete investir entre € 4 bilhões e € 5 bilhões na transição ecológica, especialmente na criação de 240 ruas-jardins. 

Já a conservadora Rachida Dati garante que mudou seu programa para se adaptar ao mundo pós-pandemia, mas critica a supervalorização da comunicação ambientalista das rivais. A candidata promete revelar suas propostas no debate que será realizado na noite desta quarta-feira na televisão francesa.

Parisienses divididos sobre o programa de Hidalgo 

Le Parisien saiu às ruas da capital para saber o que pensam os parisienses sobre as propostas de Hidalgo. Como esperado, os moradores que dependem de seus veículos para se deslocar estão furiosos contra as medidas da prefeita. A eleitora Marthe reclama que já não pode mais circular como antes vias às margens do Rio Sena, atualmente abertas apenas para pedestres e ciclistas. Já a aposentada Salam adoraria que Hidalgo fosse ainda mais ousada e proibisse completamente a circulação de carros na capital. 

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