Tio de presidente sírio Bashar al-Assad é condenado na França por enriquecimento ilícito

Um membro da comunidade alauíta cola cartazes com fotos de Riffat al-Assad em um muro em Trípoli, no Líbano, em 2007.
Um membro da comunidade alauíta cola cartazes com fotos de Riffat al-Assad em um muro em Trípoli, no Líbano, em 2007. AFP - RAMZI HAIDAR

Riffat al-Assad, tio do presidente sírio Bashar al-Assad, foi condenado na quarta-feira (17) pela Justiça francesa a quatro anos de prisão por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, apropriação indébita de fundos públicos sírios e sonegação de impostos na França. Todos os crimes foram cometidos entre 1996 e 2016.

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O patrimônio do tio de Bashar al-Assad na França é estimado em € 90 milhões. O Tribunal Penal de Paris também ordenou o confisco de todos bens imobiliários de Riffat al-Assad na França e um valor estimado em € 29 milhões, em Londres.

A queixa que deu inicio à investigação foi depositada em 31 de janeiro de 2014 por duas associações anticorrupção, Sherpa e Trasparency International France.

Rifaat al Assad, de 82 anos, não compareceu à audiência alegando motivos de saúde, mas foi representado por seus advogados. Ele também foi condenado por empregar trabalhadores domésticos de maneira irregular.

Entre os bens confiscados pela Justiça francesa estão duas mansões em bairros nobres de Paris, cerca de quarenta apartamentos, um castelo e um haras na região parisiense.

Seus advogados disseram que apelariam da decisão, alegando que a decisão “não se apoia em elementos objetivos”,

O Tribunal indicou fatos de “uma excepcional gravidade”, apesar da idade do acusado, “com elementos concordantes que confirmam a existência de desvio de fundos públicos do Estado sírio em benefício exclusivo de Riffat Al Assad.”

Em uma declaração transmitida à imprensa, os advogados reafirmaram que “não há no caso um centavo sequer de fundos provenientes da Síria” e que “todos os fluxos identificados têm uma origem lícita.”

Açougueiro de Hama

Rifaat Al Assad foi o chefe das forças de elite de Segurança Interior do regime sírio, as Brigadas de defesa, que reprimiram violentamente uma insurreição islâmica em 1982, deixando entre 20.000 e 25.000 mortos. A ação valeu a Riffat o apelido de “o açougueiro de Hama.”

Ele foi obrigado a se exilar em 1984 após uma tentativa de golpe de Estado contra seu irmão Hafez Al Assad, pai de Bashar al-Assad. Riffat se instalou primeiro na Suíça, depois se mudou para a França com a Família e 200 fiéis seguidores. 

De origem humilde e sem fortuna familiar na Síria, ele construiu um império imobiliário avaliado hoje em € 800 milhões, principalmente na Espanha, mas também na França e no Reino Unido.

Segundo o site web francês Médiapart, Riffat manteve durante anos uma relação muito próxima com o ex-presidente François Mitterand, que chegou a lhe conceder a prestigiosa condecoração de grande oficial da Legião de Honra, em 1986, por serviços prestados à França. Ele contava também com a proteção da polícia francesa, com um agente destacado especialmente para sua segurança.

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