Com Brexit e pandemia na pauta, Macron celebra em Londres ajuda britânica na Segunda Guerra

Recebido sob uma chuva leve pelo príncipe Charles, Macron seguiu depois para o número 10 da Downing Street, onde se encontrou com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.
Recebido sob uma chuva leve pelo príncipe Charles, Macron seguiu depois para o número 10 da Downing Street, onde se encontrou com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson. AFP - JONATHAN BRADY

O presidente francês Emmanuel Macron reafirmou nesta quinta-feira (18) o "reconhecimento infinito" e a "eterna gratidão" de Paris em relação a Londres, ao celebrar os 80 anos do chamado "Apelo do General De Gaulle de 18 de junho de 1940". Esta foi sua primeira viagem ao exterior desde o início da crise do novo coronavírus.

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Depois de comemorar pela manhã em Paris esse apelo histórico pela continuidade da luta contra a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra, o presidente francês atravessou o Canal da Mancha para conceder a legião de honra à capital britânica, que "foi o berço da França Livre", “o último bastião da esperança quando tudo parecia perdido".

Recebido sob uma chuva leve pelo príncipe Charles, o herdeiro da coroa britânica, Macron seguiu depois para o número 10 da Downing Street, onde se encontrou com o primeiro-ministro Boris Johnson. Além do significado simbólico da reunião, os dois líderes também abordaram questões internacionais.

De acordo com um porta-voz da Downing Street, eles insistiram principalmente na parceria "crucial" entre os dois países na luta contra o novo coronavírus. Os dois também discutiram as negociações sobre a relação pós-Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia, que Londres e Bruxelas querem acelerar, na esperança de chegar a um acordo antes do final do período de transição, que termina em 31 de dezembro.

Ao contrário do primeiro-ministro Boris Johnson, o representante da União Europeia no Reino Unido considera improvável a possibilidade de se chegar a um acordo até julho. "A mesa de negociações está vazia", ​​disse o português João Vale de Almeida, durante uma videoconferência em Bruxelas.

Esta foi a primeira viagem do presidente francês ao exterior desde sua visita a Nápoles, em 27 de fevereiro, para uma cúpula ítalo-francesa. A delegação foi isenta da quarentena de 14 dias imposta por Londres aos visitantes estrangeiros devido ao coronavírus.

Cerimônia sem público

No dia seguinte à sua chegada a Londres, em 17 de junho de 1940, De Gaulle convocou militares, engenheiros e trabalhadores franceses a se juntarem a ele para continuarem a luta contra a Alemanha nazista. "Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não deve se apagar e não se apaga", disse o general ao concluir seu famoso discurso.

A comemoração desse apelo histórico pela continuação da luta contra a Alemanha nazista começou pela manhã em Paris, com uma visita ao Museu da Liberação, nos Inválidos, onde Macron se encontrou com Hubert Germain, de 99 anos, um dos quatro últimos Companheiros da Liberação, que se tornou um dos membros honorários do Império Britânico (MBE).

O presidente foi à tradicional cerimônia no memorial do Monte Valérien, perto de Paris, local de execução de combatentes da resistência e de reféns durante a Segunda Guerra Mundial.

Esta foi a primeira vez desde a crise do coronavírus que ocorre uma cerimônia militar em larga escala, na presença de muitas personalidades, mesmo sem a participação do público.

Charles de Gaulle foi eleito em 21 de dezembro de 1958 o primeiro presidente da Quinta República Francesa, depois reeleito em 1965, antes de deixar o poder em abril de 1969, após o fracasso de um referendo. Seu primeiro mandato de sete anos foi marcado pela guerra na Argélia, pela descolonização na África e pea afirmação da soberania francesa no cenário internacional.

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