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Vídeo: "Estou sendo sufocado!", grita sete vezes entregador francês que morreu após ação policial

Coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (23) pela família de Cédric Chouviat, entregador que morreu após uma intervenção policial em 3 de janeiro.
Coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (23) pela família de Cédric Chouviat, entregador que morreu após uma intervenção policial em 3 de janeiro. BERTRAND GUAY / AFP
Texto por: RFI
5 min

O caso gerou forte polêmica na França em janeiro, quando Cédric Chouviat, de 42 anos, morreu após uma abordagem da polícia em Paris. Vídeos realizados pelo próprio entregador, aos quais os jornais Le Monde e Mediapart tiveram acesso, revelaram que o homem gritou sete vezes que estava sendo sufocado pelos policiais. A família da vítima pede que o presidente Emmanuel Macron se pronuncie sobre o caso.

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Sofia Chouviat, filha de Cédric, afirmou nesta terça-feira (23), durante coletiva de imprensa, que apenas um pronunciamento do chefe de Estado "poderá explicar e aliviar" a revolta da família. "Questionamos e esperamos respostas. Por isso, gostaria de me dirigir diretamente ao senhor Macron. Esperamos todos uma resposta solene", declarou a jovem de 18 anos.

Em 3 de janeiro, um controle da polícia terminou de forma trágica para o entregador. Ele foi abordado nos arredores da Torre Eiffel, por estar falando ao telefone enquanto dirigia sua moto. A abordagem foi gravada por Cédric, por motoristas que circulavam pela região e por um dos policiais da patrulha.

Nas gravações descritas pelos jornais Le Monde e Mediapart, o entregador discute com os policiais. Logo depois, ele é algemado e imobilizado no chão. Outras imagens feitas por motoristas que presenciaram a cena mostam que o homem se debate por alguns instantes e desmaia, antes de ser levado em estado crítico para o hospital. Cédric morreu dois dias depois, devido a uma "asfixia com fratura da laringe", afirmou a autópsia. 

Homicídio involuntário

Os quatro policiais que protagonizaram a intervenção estão sendo investigados por "homicídio involuntário". Na segunda-feira (22), o caso voltou à tona na França, depois que os jornais Le Monde e Mediapart revelaram o conteúdo das gravações e do relatório realizado por especialistas judiciais. 

Segundo Le Monde e Mediapart, Cédric grita sete vezes, "de maneira desesperada", que está sendo sufocado. As palavras do entregador são "claras e compreensíveis", dizem os dois diários. No entanto, os quatro policiais que participaram da intervenção alegam não ter ouvido o homem, razão pela qual podem ser incriminados. 

"O senhor Chouviat resistiu à abordagem e foi durante o confronto que fez essas afirmações, ao lado de uma via movimentada, com barulho de veículos e ruídos da altercação. Os policiais não conseguiram ouvi-lo", afirma Thibault Montbrial, advogado de dois policiais.

Reforço das denúncias contra violências policiais

A nova polêmica envolvendo a morte do entregador vem à tona em um momento em que a violência da polícia é denunciada em todo o mundo, após a forte repercussão do caso George Floyd, homem negro morto por um policial branco em 25 de maio em Minneapolis, nos Estados Unidos. Na França, a população também saiu às ruas para pedir esclarecimentos sobre o caso de Adama Traoré, jovem francês que morreu após uma intervenção da polícia.

Nos três episódios, um ponto em comum: o asfixiamento utilizado para a imobilização. Na semana passada, o ministro francês do Interior, Christophe Castaner, havia anunciado a suspensão da técnica chamada de "estrangulamento", mas voltou atrás por pressão da polícia.

"Não compreendemos porque eles [os quatro policiais envolvidos na morte de Cédric Chouviat] não foram suspensos. Não compreendemos porque foi utilizado esse método de abordagem e porque ele ainda não foi proibido", declarou a filha da vítima nesta terça-feira.

Arié Alimi, um dos advogados da família Chouviat, alerta que o caso do entregador não é único e que as intervenções policiais na França têm como resultado cada vez mais feridos e mortos. 

A violência empregada durante os protestos dos "coletes amarelos", entre 2018 e 2019 já haviam gerado diversas críticas sobre os métodos usados pelas forças de segurança, acusadas de terem ferido e até mesmo mutilado manifestantes. Nas últimas semanas, outros casos vieram à tona, como a detenção do menino Gabriel, de 14 anos, que teve o rosto desfigurado após uma abordagem em 25 de maio, e da enfermeira arrastada pelos cabelos e presa durante uma manifestação dos profissionais do setor da saúde, em 16 de junho. 

No domingo (21), a ONG Human Rights Watch fez um apelo ao presidente Emmanuel Macron por "reformas concretas" na polícia para colocar um fim às abordagens "abusivas e discriminatórias", além do racismo dentro da polícia. 

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