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França se despede de Fessenheim, sua mais antiga central nuclear

A central de Fessenheim começa a ser desativada.
A central de Fessenheim começa a ser desativada. AP - Jean-François Badias
Texto por: RFI
3 min

Após 43 anos de funcionamento, na noite desta segunda-feira (29) para terça-feira (30), a central nuclear francesa de Fessenheim, localizada no nordeste do país, deixará definitivamente de operar, antes de ser desmontada. Uma vitória para as forças antinucleares, mas uma decepção para funcionários, políticos locais e defensores desse tipo de energia.

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De acordo com um porta-voz da empresa de energia EDF, que opera a usina, um procedimento semelhante ao que levou ao desligamento do primeiro reator, em 22 de fevereiro, deve começar por volta das 23h30 no horário local, com a diminuição gradual da potência do segundo reator de Fessenheim.

Uma equipe de cerca de quinze pessoas estará na sala de controle. Quando a força do reator for reduzida a 8% de sua capacidade, provavelmente por volta das 2h da madrugada no horário local, a usina será definitivamente desconectada da rede elétrica.

Localizada às margens do rio Reno, perto da Alemanha e da Suíça, a mais antiga usina nuclear da França deixará de produzir eletricidade para sempre, no que será o capítulo final de uma história de anos de turbulência, debates e relatórios sobre o destino da central.

Da construção à parada final

A construção da usina de Fessenheim começou em 1970. Seus dois reatores de água pressurizada, com uma potência de 900 megawatts (MW) cada, foram instalados em 1977. A Alemanha possui uma participação de 17,5% no projeto e a Suíça 15%, o que conferia aos dois países uma parcela equivalente da produção de energia.

Nas décadas de 1990 e 2000, uma série de pequenos incidentes ocorreram no local: uma válvula mal fechada, falha no sistema elétrico, microfissuras na tampa de um reator, erro no manuseio de produto químico, poluição da água e vazamento de combustível. Em 2007, a Autoridade de Segurança Nuclear (ASN) denunciou "falta de rigor" da EDF na operação da usina.

Associações francesas, alemãs e suíças, além de eurodeputados ambientalistas, pediram o encerramento das atividades da central. Um estudo suíço estimou, em 2007, que o risco de terremoto havia sido subestimado durante a construção de Fessenheim.  

Tensão aumentou depois de Fukushima

Os protestos se intensificaram em março de 2011, após o desastre de Fukushima, no Japão. Em 20 de março daquele ano, cerca de 10.000 manifestantes se reuniram em frente à Fessenheim. Em junho, uma cadeia humana de 5 km foi formada em torno da usina.

Porém, com o apoio intersindical e a forte mobilização contra o fechamento do local para preservar 2.000 empregos diretos e indiretos, o trabalho na central nuclear continuou. Em julho de 2011, a ASN determinou que a operação fosse estendida por mais 10 anos, estando sujeita a reformas na usina.

Promessa de Hollande

Em 19 de novembro de 2011, um acordo entre os partidos Socialista e Europa Ecologia-Verdes, em antecipação às eleições presidenciais de 2012, preveu o "fechamento gradual de 24 reatores" nucleares e "o fechamento imediato de Fessenheim".

Após a sua eleição, François Hollande anunciou o fechamento de Fessenheim, previsto para o final de 2016. Em seguida, o ex-presidente adia o prazo para 2018, condicionando o fechamento da usina à entrada em funcionamento de um novo reator, na central nuclear de Flamanville, na Mancha.

Encerramento

Em 9 de abril de 2017, o decreto autorizando o fechamento da usina de Fessenheim foi publicado no Diário Oficial: a licença de operação seria revogada "somente a partir da data de funcionamento de Flamanville".

No final de maio de 2018, a EDF alertou que o fechamento poderia ser adiado para o verão de 2019, diante da perspectiva de um novo atraso para a entrada em atividade de Flamanville. Porém, em 4 de outubro, o Ministro da Transição Ecológica, François de Rugy, sugere que o calendário de Fessenheim fosse independente.

Em 22 de outubro de 2018, a ASN anunciou que os reatores de Fessenheim teriam de parar de operar, o mais tardar, entre 2020 e 2022, uma vez que não haviam sido realizados estudos necessários para que eles pudessem operar além desta data. Em 27 de novembro, Emmanuel Macron declarou que "a parada final" de Fessenheim para "o verão de 2020".

  

  

 

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