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Governo Macron anuncia novo gabinete ministerial com mais mulheres do que homens

O Secretário-Geral da Presidência da República, Alexis Kohler, fez o anúncio do novo ministério no Palácio do Eliseu. Em 6 de julho de 2020.
O Secretário-Geral da Presidência da República, Alexis Kohler, fez o anúncio do novo ministério no Palácio do Eliseu. Em 6 de julho de 2020. REUTERS - BENOIT TESSIER
Texto por: Maria Paula Carvalho
4 min

Os nomes que compõem a nova equipe ministerial do governo francês foram divulgados no início da noite desta segunda-feira (6). O Secretário-Geral da Presidência da República, Alexis Kohler, fez o anúncio no Palácio do Eliseu. São 14 homens e 17 mulheres, que têm encontro marcado nesta terça-feira (7), às 15 horas, para o seu primeiro Conselho de Ministros.  

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Os nomes dos futuros secretários de Estado devem ser apresentados nos próximos dias. Os novos ministros não terão tempo a perder. Vários assuntos os aguardam, como mudanças no sistema de saúde, um plano de retomada da economia, as reformas da aposentadoria e do seguro desemprego e a questão da violência policial.

Para dar um novo impulso aos dois últimos anos de seu mandato, o presidente Emmanuel Macron trocou ministros-chave de sua equipe governamental, como os titulares das pastas do Interior e do Meio Ambiente.

Gérald Darmanin, de 37 anos, que era responsável pelas contas públicas, assume agora o Ministério do Interior no lugar de Christophe Castaner. Segundo analistas, sua escolha é uma recompensa por seu reiterado apoio a Macron. Entre outras atribuições, Darmanin terá a missão de apaziguar as relações entre polícia e a população. Os sindicatos dos policiais esperam uma revalorização da polícia e mais abertura a um diálogo social.

Fazer a França navegar de forma segura o ambiente incerto da pós-covid-19 é o desafio à frente dos novos nomeados, que deverão atuar ao lado do novo primeiro-ministro, Jean Castex, que tomou posse na sexta-feira (3). Ainda na noite desta segunda-feira, o premiê recebe parlamentares da maioria governamental, no Hôtel do Matignon.

O primeiro ministro deverá esclarecer seus planos e sua forma de agir futuramente, quando se dirigir à nação, alguns dias após o pronunciamento do presidente Emmanuel Macron, previsto para 14 de julho. Castex já se reuniu nesta segunda-feira com os presidentes da Assembleia Nacional e do Senado, as duas câmaras do Parlamento francês.

Rumo à retomada

Impedir que a crise mate determinados setores da economia, já em risco, e pilotar a retomada da atividade econômica serão os principais desafios de Bruno Le Maire, que continua como ministro da Economia, Finanças e Relance, como foi rebatizada a pasta em função dos obstáculos futuros. Le Maire, que segundo fontes chegou a ser cogitado para substituir o primeiro-ministro, Édouard Philippe, foi reconduzido ao posto depois de três anos movimentados para a economia francesa.

Dificilmente seu trabalho será mais simples daqui para a frente, já que caberá a ele a tarefa de tirar o país da crise decorrente da pandemia de Covid-19. O governo prevê o fechamento de 800 mil postos de trabalho nos próximos meses, o que representa 2,8% do total. O orçamento ratificado do Estado, depois da crise, evoca um auxílio público de € 134 bilhões. Somente a medida de desemprego parcial custou € 31 bilhões aos cofres governamentais. Juntando os empréstimos garantidos pelo Estado, a França coloca € 460 bilhões de euros sobre a mesa, 20% da riqueza nacional.

A boa notícia, é que o PIB francês do terceiro trimestre deverá crescer 14% em relação ao segundo trimestre, graças à normalização da atividade econômica, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central francês nesta segunda-feira. Porém, a instituição confirma sua previsão de queda de 10% do PIB, em 2020.

Surpresas

Entre as surpresas anunciadas, estão os nomes de Eric Dupond-Moretti, advogado que assume o Ministério da Justiça, e Roselyne Bachelot, para a Cultura. Com uma longa carreira política, a ministra da Ecologia durante a presidência de Jacques Chirac é também doutora em farmácia e uma apaixonada por música clássica.

A troca de governo marca ainda a saída de vários “macronistas”, que simbolizaram a administração do presidente até aqui. Porém, o troca de cadeiras confirmou a presença de pelo menos nove nomes que continuam a trabalhar junto com o presidente. Entre eles estão Jean-Michel Blanquer, que permanece no Ministério da Educação Nacional, da Juventude e Esportes; Florence Parly, que continua à frente do Ministério da Defesa, e Oliver Véran, que vem atuando no combate ao coronavírus como titular do Ministério da Solidariedade e Saúde.

Jean-Ives Le Drian, foi reconduzido às suas funções no Ministério da Europa e Relações Internacionais. Barbara Pompili assume como ministra da Transição Ecológica e Elisabeth Born, ministra do Trabalho, Emprego e Inserção, enquanto Jacqueline Gourault, como ministra da Coesão de Territórios.

Para o cargo de Ministro de Territórios fora da França, ou além-mar, o escolhido foi Sébastien Lecornu. Nascido em 1986, ele é considerado um político precoce. Foi o mais jovem assistente parlamentar, em 2005, e o mais jovem conselheiro em um gabinete ministerial, ao trabalhar com Bruno Le Maire, em 2008, em assuntos europeus. Eleito prefeito de Vernon, em 2014, o político ganhou pontos junto a Emmanuel Macron ao colaborar com o presidente durante o Grande Debate que se seguiu à crise dos coletes amarelos.

Também foram anunciados os seguintes nomes: Annick Girardin, Ministério do Mar; Frédérique Vidal, Ensino Superior, Pesquisa e Inovação; Julien Denormandi, Agricultura e Alimentação; Amélie de Montchalin, Transformação e Função Pública.

Outros 14 nomes foram anunciados como ministros delegados, que irão atuar juntamente aos ministros de Estado.

 

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