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Africanos e asiáticos foram os que mais morreram na França durante pandemia de Covid-19

Pessoas nascidas na África e que vivem em Paris e arredores estão entre os que não consegueram manter o distanciamento físico, indispensável para se proteger do vírus.
Pessoas nascidas na África e que vivem em Paris e arredores estão entre os que não consegueram manter o distanciamento físico, indispensável para se proteger do vírus. AP - Michel Euler
Texto por: RFI
3 min

Dados oficiais revelados nesta terça-feira (7) apontam que o aumento de mortes durante a pandemia de coronavírus na França foi mais marcante entre pessoas nascidas no continente africano e na Ásia. Questões sociais e econômicas, como as profissões exercidas ou a precariedade das moradias, pesaram na estatística.

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De acordo com os números do Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos, equivalente ao IBGE francês), 129.000 pessoas morreram na França nos meses de março e abril desde ano, contra 102.800 óbitos registrados no mesmo período de 2019. Esse total, que leva em conta todos os mortos do país, independentemente da causa, é 25% superior ao do ano anterior.

No entanto, aponta o Insee, além de confirmar o impacto da pandemia no país, esses dados também revelam disparidades ligadas à nacionalidade dos mortos: enquanto entre as pessoas nascidas na França os óbitos aumentaram 22% com relação ao ano anterior, entre os moradores nascidos em outros países, essa alta foi de 48%.

As principais vítimas foram as pessoas nascidas na África, especialmente nos países do norte do continente (Argélia, Marrocos e Tunísia), ex-colônias que possuem uma grande diáspora na França. De acordo com o Insee, no auge da pandemia, entre março e abril, 8.300 mortes foram registradas entre pessoas vindas dessa região do globo, contra 5.400 contabilizados entre a mesma população no ano passado. Já entre as pessoas originárias da Ásia, 1.600 mortes foram registradas, contra 800 em 2019.

Enquanto isso, entre os moradores da França vindos de outros países da Europa, das Américas ou da Oceania, o aumento de mortes foi próximo ao observado entre aqueles nascidos no território francês.

Aumento de 92% de mortes em Paris 

Algumas razões já foram apontadas para explicar essa estatística que afeta principalmente os estrangeiros vindos da África e da Ásia. A primeira delas é que essas pessoas vivem essencialmente em zonas com alta densidade demográfica, como Paris e arredores, que foram justamente as mais afetadas pelo vírus. A região parisiense registrou uma alta de 92% nas mortes em março e abril, em comparação com o mesmo período de 2019.

Mas além da questão geográfica, aspectos sociais e econômicos são apontados para explicar esses números. O primeiro deles é ligado à precariedade financeira, já que, segundo as estatísticas oficiais, os moradores da França nascidos na África e na Ásia são os que moram em lugares menores e que mais utilizam os transportes públicos. Dois fatores que tornam difícil o distanciamento físico, indispensável para se proteger do vírus.

Além disso, a população nascida na África compõe uma boa parte dos trabalhadores da chamada “linha de frente” (saúde, comércio, entregadores e faxineiros, que não puderam parar suas atividades). Segundo o Insee, as pessoas oriundas da Tunísia, Argélia e Marrocos representam 14% dos que atuam nesses setores e os nascidos nos demais países africanos constituem 15% dos que continuaram expostos por razões profissionais durante pandemia. Os nascidos na França representam 11% dessa mão-de-obra.

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