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A Semana na Imprensa

França teme que segunda onda da Covid-19 comece pelos aeroportos

Áudio 03:04
Autoridades francesas querem reforçar o controle nos aeroportos para evitar uma nova onda de contaminação vinda do exterior.
Autoridades francesas querem reforçar o controle nos aeroportos para evitar uma nova onda de contaminação vinda do exterior. © Reprodução / L'Express
Por: Silvano Mendes
6 min

A revista francesa L’Express desta semana traz uma reportagem sobre a situação dos aeroportos diante da pandemia de Covid-19. As autoridades do setor da saúde temem que a falta de medidas de controle eficazes na entrada do país possa contribuir para uma nova onda de contaminação vinda do exterior.

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O alerta foi dado pelos funcionários dos hospitais franceses, que constataram recentemente um aumento em seus serviços de infectologia de pacientes portadores da Covid-19 que foram infectadas principalmente no exterior. A constatação levantou o debate sobre as medidas de controle aplicadas nos aeroportos.

O governo anunciou na sexta-feira (10) a criação de um dispositivo de testes nos aeroportos parisienses. No entanto, o protocolo é realizado de forma voluntária, ressalta a revista. Além disso, segundo as autoridades francesas, o sistema visa apenas as pessoas vindas dos países considerados de risco, onde a propagação do vírus ainda é intensa.

Mas essas medidas são insuficientes na opinião dos profissionais do setor da saúde, aponta a reportagem, que entrevistou o médico Eric Caumes, chefe do serviço de infectologia do hospital parisiense Pitié-Salpêtrière, um dos centros de referência no acompanhamento da pandemia. Segundo ele, o protocolo anunciado pelo governo não é eficaz, já que apenas os passageiros voluntários serão testados. Além disso, mesmo em caso de confirmação de uma possível contaminação, as autoridades não preveem nenhum dispositivo para acompanhar e isolar esses doentes.

O ministério dos Transportes garante que as pessoas contaminadas ficam em contato com um médico. Mas esse dispositivo não parece funcionar, como insiste Eric Caumes. “Nas últimas duas semanas, temos visto chegar vários doentes que moram na França, mas que têm duas nacionalidades, principalmente argelinos. Eles foram infectados na Argélia e voltaram para o território francês sem saber que estavam contaminados”, explica o médico, que fala de cerca de 20 ocorrências, mas confessa ter perdido a conta diante do aumento recente.

Sem quarentena para os turistas

Ao contrário do que fazem alguns países, a França não impõe nenhum tipo de quarentena para os turistas que desembarcam em seus aeroportos. Na Grécia, por exemplo, onde mais da metade dos casos positivos foram confirmados apenas nos primeiros dias de julho (início da temporada turística), os passageiros são obrigados a responder um questionário e, em caso de teste positivo, são confinados em um hotel. Já na Áustria, todas as pessoas vindas de zonas consideradas de risco são colocadas em quarentena e os que não respeitam a regra levam multa de € 1.450 (quase R$ 9 mil).

Mas a França tem dificuldades em impor esse mesmo tipo de medida, aponta a reportagem. Por enquanto, o isolamento dos passageiros é apenas sugerido àqueles que têm resultado positivo no teste de Covid-19. Porém, nada é obrigatório, ressalta a revista L’Express.

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