França manobra para excluir 5G da Huawei da rede de telefonia móvel local até 2028

Operadores franceses poderão usar equipamentos 5G da Huawei por tempo limitado.
Operadores franceses poderão usar equipamentos 5G da Huawei por tempo limitado. ©REUTERS/Jason Lee/File Photo

Sem fazer alarde, as autoridades francesas informaram às operadoras de telefonia interessadas em comprar equipamentos da Huawei para a rede 5G que as antenas da gigante chinesa vão desaparecer do território francês até 2028.

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O ministério francês da Economia havia prometido não proibir a instalação de equipamentos de tecnologia 5G produzidos pela Huawei, como fizeram os Estados Unidos e o Reino Unido, mas está manobrando de forma a conseguir o mesmo resultado. Segundo o portal especializado L'Usine Nouvelle, a França também vai banir a Huawei de sua rede 5G.

Assim como outros países da Europa, o governo francês prepara a instalação da próxima geração de tecnologia de telecomunicações em meio à batalha declarada pelos Estados Unidos contra a China. O governo americano acusa a Huawei, que desenvolveu a melhor rede 5G do mercado, de utilizar seus equipamentos para espionagem. O grupo chinês nega, mas Washington pressiona seus aliados a não comprar a tecnologia chinesa.

A rede 5G vai muito além da conexão de internet mais rápida para o celular. A nova tecnologia vai aumentar as potencialidades da rede atual, conhecida como 4G, alçando a banda larga móvel a altíssimos padrões de velocidade de conexão e de usuários simultâneos. Isso facilitará a análise de situações complexas e a tomada de decisões em microssegundos. A 5G vai transformar a organização das empresas, da produção, do consumo, os serviços públicos, os transportes, as finanças, o lazer e a própria maneira de governar. Sem falar na indústria da defesa.

Até recentemente, a União Europeia dava sinais de não querer banir a Huawei dessa corrida tecnológica, mas a teia de restrições ao fabricante chinês vai se estendendo.

Em entrevista ao jornal Les Echos, a Agência Nacional francesa de Segurança de Sistemas de Informação (Anssi) anunciou no início de julho que concederia autorizações às operadoras de telecomunicações da França para usar equipamentos 5G, incluindo os fabricados pela Huawei, por períodos de até oito anos. Na mesma ocasião, informou, porém, que algumas autorizações não seriam renovadas além desse prazo.

Até o momento, diferentemente dos concorrentes Ericsson ou Nokia, grande parte das autorizações concedidas pelas autoridades francesas para equipamentos da Huawei foram limitadas a três ou cinco anos. Em discussões informais com as operadoras, sem que haja documentação escrita, as autoridades indicaram que as licenças dos equipamentos Huawei não serão prorrogadas.

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro francês, que supervisiona as autorizações para equipamentos 5G, disse que Anssi estava trabalhando com as operadores dentro da estrutura estabelecida por lei, acrescentando que as autorizações concedidas hoje não prejudicam a sua possível renovação ou interrupção. Mas essas limitações resultarão na saída gradual da Huawei das redes 5G na França até 2028, devido à brevidade das autorizações concedidas, disseram fontes que solicitaram o anonimato ao portal L'Usine Nouvelle. O assunto politicamente sensível é tratado de forma velada.

Para algumas operadoras franceses, obter autorizações de três a cinco anos soa como "uma piada". Nenhum operador vai investir uma fábula na aquisição de antenas da Huawei para usar por um período tão curto e depois se ver orbigado a desmontar os equipamentos para substituí-los pelos de outro concorrente. Além disso, oito anos é o período mínimo de amortização dos custos. As duas tecnologias sendo vinculadas, se um operador decidisse mudar de fornecedor de equipamentos para 5G, também seria forçado a substituir sua infraestrutura 4G.

Tema sensível

Uma saída da Huawei do mercado francês penalizaria principalmente a Bouygues Telecom (Bouygues) e a SFR (Altice Europe), as duas operadoras que já usam a Huawei em suas redes. As outras duas principais operadoras francesas, Orange e Iliad, utilizam principalmente a Nokia e a Ericsson em suas redes móveis.

Nenhuma operadora quis fazer declarações sobre essa situação que envolve aspectos geopolíticos delicados. O debate ocorre em alto escalão, tanto na França quanto na Europa.

Na Grã-Bretanha, onde as operadoras dependem fortemente da Huawei, o governo ordenou que a gigante chinesa fosse banida das redes 5G até 2027. "As posições britânicas e francesas são de fato bastante semelhantes, apesar das diferentes comunicações", resumiu uma das fontes ouvidas pelo portal L'Usine Nouvelle. "Não há muito que a Huawei possa fazer."

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