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Policiais franceses são acusados de atos racistas dentro do Tribunal de Paris

Policiais franceses são acusados de racismo e associações pedem investigação independente (imagem de ilustração)
Policiais franceses são acusados de racismo e associações pedem investigação independente (imagem de ilustração) REUTERS/Jean-Paul Pelissier
Texto por: RFI
2 min

A justiça francesa abriu nesta terça-feira (28) uma investigação visando policiais acusados de crime racista. Segundo informações reveladas na véspera, eles teriam insultado e maltratado detentos nas celas do Tribunal de Paris. As vítimas, principalmente estrangeiras, teriam sido agredidas enquanto esperavam para serem julgadas.

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As denúncias foram feitas por outro policial em março de 2019, mas o caso só veio à tona agora, após ter sido revelado pelo site Streetpress. Segundo o agente da polícia Amar Benmohamed, que revelou a história, alguns de seus colegas teria empregado, de forma constante, termos racistas visando os suspeitos de origem estrangeira.

O site de notícias revela que, de acordo com Amar Benmohamed, mais de mil suspeitos teriam sido maltratados. Os crimes teriam ocorrido entre 2017 e 2019 no "depósito" do Tribunal de Paris, local onde são colocados aqueles que esperam para serem apresentados diante da Justiça.

Benmohamed, que também é sindicalista, afirma ter ouvido, da parte de seus colegas, frases como “cala a boca seu bougnoule sujo” (termo pejorativo usado para insultar pessoas vindas do norte da África), “raça suja”, ou ainda ameaças do tipo: “eu poderia jogar tudo isso no rio Sena”. Ele também denuncia que suspeitos eram privados de comida e de acesso aos cuidados médicos.

Investigações independentes estão sendo solicitadas

A Procuradoria de Paris abriu uma investigação por violência e “injúrias públicas em razão de origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião”, além de “injúrias públicas em razão do sexo ou orientação sexual”. O processo será dirigido pela Inspeção geral da polícia nacional (IGPN, conhecida como “a polícia da polícia”). Uma investigação independente também foi solicitada pela Defensoria dos Direitos.

Um processo administrativo já está em andamento e encaminhou um policial para ser avaliado por um conselho disciplinar, previsto para setembro, por “comportamentos inapropriados visando detentos”. Além dele, cinco outros envolvidos serão alvo de sanções internas. Mas as penas não foram reveladas.

Em uma mensagem nas redes sociais, a associação SOS Racismo disse que as punições administrativas são uma “etapa importante e necessária”, mas pede a abertura de um processo na Justiça.

 

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