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Morre em Paris Gilles Lapouge, jornalista e escritor francês com longa trajetória no Brasil

Gilles Lapouge, um francês apaixonado pelo Brasil. O jornalista morreu em Paris, aos 96 anos.
Gilles Lapouge, um francês apaixonado pelo Brasil. O jornalista morreu em Paris, aos 96 anos. © RFI
Texto por: Maria Paula Carvalho
4 min

A imprensa francesa desta sexta-feira (31) presta homenagens ao jornalista e escritor francês Gilles Lapouge, colunista do diário brasileiro O Estado de São Paulo. Ele morreu na quinta-feira (30), em Paris.

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De acordo com informações da família, Lapouge, de 96 anos, não resistiu a uma infecção pulmonar. Viúvo, ele deixou os filhos Benoit, Laure-Marie, Mathilde e Jerôme.

Nascido em novembro de 1923 em Digne-les-Bains (Alpes-de-Haute-Provence), Lapouge cresceu na Argélia, onde seu pai serviu como soldado. Foram seus estudos de história e geografia que o levaram através do Atlântico para a América Latina.

O diário francês Le Journal du Dimanche lembra que o “autor de vinte romances, ensaios e coleções seguiu um caminho único, que o tornou um conhecedor do Brasil”. O artigo relembra os muitos prêmios literários recebidos por Lapouge, como o Deux Magots, em 1986, para o romance histórico "La Bataille de Wagram" (Editora Flammarion), escrito em 1983, provavelmente uma de suas obras mais célebres.

Romancista, ensaísta, cronista e adepto de longas viagens, Lapouge era um apaixonado pelo Brasil, país onde chegou em 1951. Essa faceta de sua trajetória também foi destacada pelo diário francês Le Figaro, em sua edição desta sexta-feira. “O Brasil é minha autobiografia, eu o percorri como quem relê um diário íntimo”, destaca o texto, ao relembrar os anos em que o jornalista viveu no país.

Trabalho na imprensa brasileira

Durante quase sete décadas, Lapouge publicou reportagens e artigos no jornal O Estado de São Paulo. Seu primeiro texto assinado data de 1954. De lá para cá, sua colaboração com o diário rendeu mais de 10 mil textos publicados no jornal.

De volta à França, ele continuou trabalhando como correspondente para a imprensa brasileira, além de assinar artigos nos franceses Le MondeLe Figaro Littéraire e Combat. Entre as suas coberturas marcantes está a da morte do general francês Charles De Gaulle.

Em 2011, Lapouge lançou, pela Editora Plon, o livro "Dictionnaire amoureux du Brésil". Concebida como um dicionário, a obra descreve, letra por letra, de forma divertida e agradável de ler, suas impressões, lembranças, análises e críticas sobre o Brasil, país que ele amava e admirava. 

Em entrevista à RFI para falar da obra, Lapouge confessou que considerava o Brasil sua segunda pátria. "Gosto e conheço tanto o Brasil que posso falar mal dele", brincou. 

Sua última obra, “Atlas des paradis perdus” (Arthaud, 2017), elabora um inventário das tentativas humanas de recriar o Jardim do Éden.

Em 2019, na ocasião da morte do ex-presidente francês Jacques Chirac, Lapouge relembrou, em entrevista à RFI, a carreira política do conservador que ele acompanhou desde a primeira eleição como deputado, em 1967, até seus dois mandatos presidenciais, de 1995 a 2007.

O escritor Gilles Lapouge no lançamento do livro "Les Brésiliens à Paris", em dezembro de 2010, ao lado da jornalista Adriana Brandão, Ele foi o autor do prefácio da obra.
O escritor Gilles Lapouge no lançamento do livro "Les Brésiliens à Paris", em dezembro de 2010, ao lado da jornalista Adriana Brandão, Ele foi o autor do prefácio da obra. © Arquivo Pessoal/Adriana Brandão.

Em 2019, Lapouge escreveu o prefácio do livro "Les Brésiliens à Paris – au fil des siècles et des arrondissements" (‘Os brasileiros em Paris – ao longo dos séculos e dos bairros’, em tradução livre), escrito pela jornalista mineira, radicada em Paris, Adriana Brandão.

 A obra destaca brasileiros, famosos ou anônimos, que nos últimos cinco séculos marcaram a história do Brasil na capital francesa. “Como poderia imaginar que eles foram tão numerosos, ao longo dos séculos, esses brasileiros célebres ou desconhecidos que escolheram fixar residência em Paris ou de passar longas temporadas na cidade?”, escreveu Lapouge na abertura da obra.

Em junho deste ano, os filhos de Gilles Lapouge informaram que o pai havia passado por uma cirurgia e se recuperava lentamente no hospital. Porém, de acordo com a família, o autor não estava pronto para deixar as letras.  Em julho último, ele havia começado a rever, no Twitter, seus textos publicados no Estadão. E tinha planos de criar uma conta na rede social e de voltar a escrever.

 

 

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