Feminicídio: França registra aumento de mulheres assassinadas por companheiros

Em manifestação realizada pela ONG Nous Toutes em setembro de 2019, militantes exibem nomes de mulheres mortas por companheiros e ex-companheiros na França.
Em manifestação realizada pela ONG Nous Toutes em setembro de 2019, militantes exibem nomes de mulheres mortas por companheiros e ex-companheiros na França. Zakaria ABDELKAFI / AFP
Texto por: RFI
4 min

Uma das grandes promessas de campanha do presidente francês Emmanuel Macron era acirrar a luta contra a violência às mulheres. No entanto, mais de três anos após o início de seu mandato, o feminicídio continua aumentando na França.

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Segundo dados divulgados na segunda-feira (17) pelo Ministério do Interior da França, em 2019, 146 mulheres foram mortas por seus companheiros ou ex-companheiros, 25 vítimas a mais do que no ano anterior. Desde janeiro desde ano, foram 46 mulheres. O balanço também aponta que, em 2019, as violências conjugais terminaram com a morte de 27 homens.

O documento revela o perfil das vítimas de violências conjugais na França: mulher, de nacionalidade francesa, com idade entre 30 a 49 anos ou com mais de 70 anos e que não exerce nenhuma atividade profissional. 

Segundo o relatório, a maioria dos crimes acontece na residência dos casais (76%), motivados por uma briga (31%) ou por uma separação não aceita (20%). Do total desses assassinatos, 36% são cometidos com armas brancas e 24% com armas de fogo.

Os dados revoltaram as organizações e associações que militam pelos direitos das mulheres. "É um aumento assustador, mas que não me surpreende", afirma a presidente da Fundação das Mulheres, Anne-Cécile Mailfert. "É preciso de uma reação urgente, esse blá blá blá não é suficiente, necessitamos de medidas fortes", afirmou.

Para Caroline de Haas, do coletivo Nous Toutes, "esses números correspondem à ausência de políticas ambiciosas". "Há uma grande diferença entre o que diz o governo e os resultados", reitera. 

As críticas são principalmente direcionadas a Marlène Schiappa, ex-secretária de Estado encarregada da Igualdade entre Mulheres e Homens. "Ela não fez o que era preciso. As principais medidas não foram colocadas em prática; não criaram meios suficientes para proteger as mulheres", aponta Anne-Cécile Mailfert. 

A ex-secretária se defende afirmando que, durante sua atuação, houve uma "verdadeira tomada de consciência e uma mobilização de toda a sociedade diante das violências conjugais". Segundo ela, antes de seus trabalhos, apenas 8% da população conhecia o número de telefone para apoio às vítimas, "agora são 64%". 

Novas medidas entrarão em vigor

No final do julho, a Assembleia francesa adotou um projeto de lei destinado às vítimas de violências conjugais. Uma série de medidas já havia sido aprovada no final de 2019, como a generalização do bracelete eletrônico antiproximidade. A medida entrará em vigor em setembro.

A nova encarregada da pasta, Elisabeth Moreno, escolhida durante a troca de gabinete em julho, promete "proteger melhor as vítimas e punir mais efetivamente os agressores". 

Já o novo ministro do Interior, Gérald Darmanin, sublinha uma "mobilização sem precedentes das forças de ordem diante das violências conjugais, colocando em prática novos métodos e formações reforçadas para todos os policiais". 

As promessas pouco convencem as militantes feministas. O próprio Darmanin é acusado de estupro e é alvo de uma investigação, mas nega ter qualquer responsabilidade. Entre suas defensoras dentro do novo governo, estão Elisabeth Moreno e Marlène Schiappa, que atualmente é subordinada ao ministro do Interior, encarregada da pasta da Cidadania. 

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