Governo francês vai impor uso de máscaras em ambientes de trabalho

Viseiras e divisórios de plásticos não serão mais suficientes: governo francês quer que as máscaras sejam usadas de maneira sistemática nos locais de trabalho da França (Imagem ilustrativa)
Viseiras e divisórios de plásticos não serão mais suficientes: governo francês quer que as máscaras sejam usadas de maneira sistemática nos locais de trabalho da França (Imagem ilustrativa) AP - Daniel Cole

O uso de máscaras deverá ser sistemático em todos os ambientes profissionais da França até o final de agosto. O anúncio foi feito pela ministra francesa do trabalho. A medida do governo é apresentada como uma tentativa de conter a alta de novos casos de Covid-19 no país.

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“É necessário tornar sistemático, como foi preconizado pelo Conselho Superior de Saúde Pública, o uso de máscara em todos os espaços de trabalho fechados e compartilhados, como salas de reunião, corredores, vestiários e open space”, declarou nesta terça-feira (18) a ministra francesa do Trabalho, Elisabeth Borne, após uma reunião com sindicatos. Ela disse que a presença de divisórias em plástico transparente, como as que foram instaladas em várias empresa, não substitui o uso de máscaras.

A questão da obrigatoriedade dos acessórios de proteção em ambientes profissionais vem sendo discutida há dias na França. Principalmente diante da retomada da epidemia de Covid-19 no país, com a aceleração dos números de novos casos.

Os médicos militam para que o uso de máscaras se torne uma norma nas empresas. Nesta terça-feira (18), um coletivo de profissionais de saúde entrou com um pedido junto ao Conselho de Estado para que esse equipamento se generalize e que o domicílio passe a ser o único local onde ele não seria exigido.

Quem vai pagar pelas máscaras?

No entanto, o debate esbarra em questões financeiras, pois se as máscaras se tornarem obrigatórias, elas serão consideradas um equipamento do proteção profissional e, dessa forma, devem ser custeadas pelas empresas. Daí a nuance semântica da ministra, que preferiu usar o termo “sistemático” a “obrigatório”.

Mas Elisabeth Borne disse que trata-se de uma medida para a segurança e a saúde dos funcionários. “Então, é claramente uma responsabilidade do empregador”, disse a ministra, que não anunciou nenhum tipo de sanção para quem não respeitar a medida.  

O preço das máscaras cirúrgicas descartáveis é tabelado na França (€ 0,95 a unidade). Mas o valor é um dos mais altos entre os vizinhos europeus. Ela são vendidas nas farmácias francesas por, em média, € 0,95 (R$ 5,6), enquanto na Itália elas custam € 0,5; na Alemanha, € 0,7, e, no Reino Unido, € 0,78. Entre os vizinhos europeus, apenas a Espanha comercializa o produto mais caro que a França (€ 0,96).

A medida anunciada por Elisabeth Borne será registrada nos próximos dias em um "protocolo nacional para garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores no período da Covid-19", para ser aplicado até o final de agosto, acrescentou a ministra.

O uso de máscaras já havia sido recomendado nos espaços de trabalho quando a distância de um metro entre cada empregado não pudesse ser respeitada. Além disso, o governo francês já impôs o acessório de proteção nos transportes coletivos e no comércio de todo o país, mas também nas ruas movimentadas de várias cidades, entre elas Paris. Nesse caso, uma multa de € 135 (quase R$ 900) é prevista para quem infringir a regra.

 

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