França supera 4 mil casos diários da Covid-19, mas governo mantém volta às aulas em 1° de setembro

Novos estudos coordenados pelo Hospital Infantil Necker, de Paris, e o Instituto Pasteur, publicados em 6 de julho, demonstram que crianças expostas aos coronavírus sazonais, como em alguns resfriados, não são poupadas da Covid-19.
Novos estudos coordenados pelo Hospital Infantil Necker, de Paris, e o Instituto Pasteur, publicados em 6 de julho, demonstram que crianças expostas aos coronavírus sazonais, como em alguns resfriados, não são poupadas da Covid-19. Martin BUREAU / AFP

A França registrou 4.771 casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, ou seja, mil a mais do que na quarta-feira, o que representa um avanço inédito desde maio, segundo os dados oficiais publicados nesta quinta-feira (20) pela Direção-Geral de Saúde. Esta é a primeira vez desde maio que o país ultrapassa os 4.000 casos diários. Apesar disso, o ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, descartou um adiamento do início do ano letivo, que está previsto para 1° de setembro.

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O aumento dos casos de Covid-19 prossegue na França, com 18.638 diagnósticos positivos adicionais em sete dias. Mas o número de pessoas hospitalizadas diminuiu para 149 em 24 horas, contra 162 na quarta-feira. Atualmente, há 4.748 pacientes com a Covid-19 nos hospitais franceses. O número de doentes em terapia intensiva (UTI) aumentou levemente para 380, contra 374 na véspera.

Em entrevista ao jornal de 20h no canal 2 da TV pública, o ministro da Educação explicou que o uso de máscaras será obrigtório para crianças e adolescentes nos colégios e estabelecimentos do ensino médio, independentemente do distanciamento físico que também será adotado como regra nas escolas.

Nos últimos dias, vários sindicatos de professores pediram um adiamento da volta às aulas para terem mais tempo para se adaptar às medidas sanitárias. Mas o ministro da Educação rejeitou o apelo dos sindicatos, afirmando que o governo enviou no final de julho a todos os estabelecimentos um protocolo que permite, segundo ele, "garantir a segurança de todos nas escolas, corpo docente e alunos".   

Blanquer declarou que o governo está consciente que "exceções locais" podem ser necessárias. Mas, nesses casos excepcionais, a volta às aulas seria adiada de acordo com o contexto das contaminações em um estabelecimento específico ou em uma área atingida por um surto epidêmico.

Em uma carta aberta publicada na quarta-feira (19), sete sociedades francesas de pediatria defenderam o aumento da vacinação contra os vírus influenza e da gastroenterite, a aplicação de testes mais rápidos do que o PCR e regras mais claras diante dos casos suspeitos.

Porém, apesar do aumento acentuado das contaminações na Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou nesta quinta-feira que a pandemia de Covid-19 agora pode ser administrada no continente sem bloquear toda a sociedade.

OMS e Unicef defendem volta às aulas

O planejamento cuidadoso feito pelas autoridades e o conhecimento acumulado nos últimos meses devem permitir a reabertura das escolas em setembro, afirmou a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A ONU também pediu aos governos africanos que promovam a reabertura das escolas, fechadas há quase seis meses, tomando medidas para prevenir a propagação do vírus.

“Os fechamentos de escolas prolongados e sem precedentes, para proteger os alunos contra a Covid-19, estão causando-lhes mais danos”, disseram as duas agências da ONU.

Os números de novos casos de contaminação em 24 horas publicados na França, Itália, Alemanha e Espanha são de fato preocupantes. Os dados mostram uma retomada da pandemia, muitas vezes relacionados com feriados, festas e viagens. Na Espanha, foram declarados 7.039 novos casos da Covid-19 nas últimas 24 horas. Na Alemanha, foram detectados 1.707 novos doentes, enquanto na Itália o Ministério da Saúde notificou 845 pacientes positivos ao novo coronavírus, o maior número desde 23 de maio, segundo relatório divulgado pelo Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, os governos europeus e a OMS defendem que a melhor forma de conter a propagação do vírus não é paralisar todas as atividades, mas apostar nas medidas de prevenção e relembrar a responsabilidade individual.

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