Merkel visita Macron no sul da França para demonstrar harmonia em uma Europa sob pressão

Angela Merkel visita na tarde desta quinta Emmanuel Macron, no forte de Brégançon. O encontro pretende reforçar a imagem de harmonia e liderança entre os chefes europeus.
Angela Merkel visita na tarde desta quinta Emmanuel Macron, no forte de Brégançon. O encontro pretende reforçar a imagem de harmonia e liderança entre os chefes europeus. REUTERS - Reinhard Krause

Na tarde desta quinta-feira (20), o presidente Emmanuel Macron recebe a chanceler alemã, Angela Merkel, na residência de verão da presidência francesa, no sul da França. A visita inédita de Merkel ao forte de Brégançon pretende passar a imagem de uma dupla próxima e unida na chefia da União Europeia, em um momento de grande pressão nacional e internacional, destaca a imprensa francesa.

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Apesar do período tradicional de recesso, os líderes europeus têm mantido um ritmo forte de trabalho. A situação exige. A pauta do encontro será longa, informa o jornal Le Monde.

Os dois devem conversar sobre a explosão que destruiu o porto de Beirute, sobre a crescente tensão entre a Grécia e a Turquia em disputa territorial no Mediterrâneo, sobre o golpe de estado no Mali e ainda a contestada eleição em Belarus seguida de violenta repressão – sem esquecer, claro, a pandemia do coronavírus e o repique de casos na Europa durante o verão.

O encontro é mais uma ocasião para que Macron e Merkel alinhem posições e mostrem ao mundo que se entendem bem. A reunião "é evidentemente uma mensagem simbólica sobre a relação franco-alemã e a necessidade de um verdadeiro alinhamento entre os dois países", afirmou o secretário de estado de Relações Europeias, Clément Beaune, no diário Le Parisien.

Os vizinhos, no entanto, têm importantes questões a resolver. No caso entre a Turquia e a Grécia, o presidente francês saiu em defesa do direito ao território da Grécia e impõe um tratamento duro ao turco Erdogan. Já Merkel, que tem na Alemanha uma população de 3 milhões de turcos, prefere uma negociação mais tranquila, sublinhou o jornal Le Figaro.

"Enquanto Paris voava em socorro de Atenas enviando, no dia 13 de agosto, dois aviões, um porta-helicópteros e uma fragata à ilha grega de Kastellórizo, onde se encontrava um navio de pesquisa sísmica turco, escoltado por embarcações militares, Berlim foi muito cautelosa", lembra o diário Libération. A chanceler preferiu não se posicionar na disputa entre Atenas e Ancara, e negociar discretamente.

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É esperado que a dupla franco-alemã anuncie nesta quinta mais algumas iniciativas do plano de recuperação econômica pós-Covid, lembra o jornal. O plano de € 750 bilhões saiu de um arranjo feito por Merkel e Macron. Na negociação, Merkel demonstrou uma flexibilidade que não teve durante a crise de 2008 e, dessa vez, aceitou uma proposta de compartilhamento da dívida entre os países europeus.

O cofinanciamento será importante para a retomada econômica principalmente dos países do sul, duramente atingidos pela pandemia, como a Espanha, a Itália e também a França.

De olho em 2022

Esse fato diplomático pode se revelar crucial para a próxima eleição presidencial na França, em 2022, quando Macron disputará a reeleição, afirma o Le Parisien.

“O projeto europeu será um dos pilares da reconstrução do país. Tudo o que for lançado politicamente com o plano de estímulo deve dar frutos no momento da presidência francesa [da UE] ”, sublinhou o deputado francês na europa Pieyre-Alexandre Anglade.

 

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