A poucos dias da volta às aulas, governo francês se recusa a fornecer máscaras gratuitas nas escolas

Alunos voltam às aulas em 1° de setembro na França.
Alunos voltam às aulas em 1° de setembro na França. AFP - THOMAS SAMSON

Continua a queda de braço entre os pais de alunos e o governo francês sobre a distribuição de máscaras nas escolas. Com a aproximação da volta às aulas, o primeiro-ministro Jean Castex reforçou a mensagem nesta quarta-feira (26): a França não fornecerá o material gratuitamente nos estabelecimentos de ensino. 

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Em entrevista à rádio France Inter, nesta manhã, o premiê foi taxativo e recusou, mais uma vez, a possibilidade de distribuir máscaras gratuitamente a todos os alunos. Segundo ele, as máscaras não são um material escolar e sim um equipamento de proteção. 

"Sabemos que a França é a ilha da felicidade, mas nenhum país no mundo generalizou a gratuidade das máscaras", declarou. O primeiro-ministro lembrou que o material já é gratuito em dois casos: "para todas as pessoas, qualquer que seja a idade, que têm a saúde frágil e para as pessoas em situação precária". 

Ao ser questionado sobre o polêmico assunto, o premiê pediu que os franceses tenham "um pouco de bom senso". Segundo ele, caso o governo determinasse a gratuidade do material para todos, "isso significaria que pagaríamos máscaras a famílias que não precisam". 

Polêmica sobre a gratuidade

A determinação do uso de máscaras nas escolas francesas mobiliza a opinião pública. Na próxima terça-feira (1°), 12,4 milhões de crianças e adolescentes voltam às aulas no país. Diante da obrigatoriedade, sindicatos e a oposição exigem que o governo forneça o material gratuitamente a todos os alunos.

Em algumas regiões da França, as máscaras serão, no entanto, distribuídas aos alunos do ensino fundamental e do ensino médio. As crianças das primeiras séries não precisarão utilizar a proteção por enquanto, mas o governo não descarta reverter a decisão. Já os professores, com exceção dos que trabalham nas escolas maternais, deverão utilizar máscara. 

O premiê francês lembrou que a previdência social criou um dispositivo para reembolsar as máscaras necessárias às pessoas vulneráveis e já distribuiu pelo correio 50 milhões de máscaras a 3 milhões de famílias mais pobres do país.

Em coletiva de imprensa na terça-feira (25), o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer já havia se manifestado sobre a recusa do governo. Segundo ele, apenas alunos de "famílias em grande dificuldade" não precisarão comprar máscaras. A situação será avaliada "caso por caso", declarou.

Blanquer também lembrou que a ajuda do Estado para a compra de material escolar aumentou em € 100 este ano. "É algo importante, um dos grandes progressos sociais desta volta às aulas", afirmou, em entrevista à rádio RMC na segunda-feira (24). 

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