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Tour de France: ameaça do vírus paira sobre maior corrida de ciclismo do mundo, que começa sábado

Depois de um adiamento de dois meses, o Tour de France começa perante um mínimo de espectadores e cheio de incertezas neste sábado (29), em Nice.
Depois de um adiamento de dois meses, o Tour de France começa perante um mínimo de espectadores e cheio de incertezas neste sábado (29), em Nice. AFP/File
Texto por: RFI
5 min

O Tour de France sob tensão. A ameaça do vírus paira sobre a maior corrida de ciclismo do mundo, que começa perante uma quantidade mínima de espectadores e cheia de incertezas neste sábado (29), em Nice, após um adiamento de dois meses.

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Os dois favoritos, o colombiano Egan Bernal, campeão do tour em 2019, e o esloveno Primoz Roglic, e o francês Thibaut Pinot, assim como os outros ciclistas do pelotão, não sabem o que os espera até a chegada à Avenida Champs-Elysées, em Paris, marcada para 20 de setembro. Exceto pelos detalhes do percurso, o mais montanhoso das últimas edições.

O campeão Bernal sintetiza a atmosfera da prova deste ano em entrevista à RFI: “Em 2020, proteja-se e nos protejam: distância uns dos outros, dois metros de barreira, sem autógrafos, sem selfies, uso de máscaras e de [álcool] gel. Todos somos responsáveis, todos devemos nos ajudar”.

Para as autoridades que deram luz verde à prova, um dos raros grandes eventos desportivos mundiais a sobreviver a este ano de 2020, marcado pela Covid-19, a realização da 107ª edição deve ser um símbolo. "O Tour de France deve ser o sinal de que podemos continuar a viver, é o sinal da resiliência da sociedade", declarou o ministro da Saúde francés, Olivier Véran, na última quinta-feira (27).

Foi necessária uma redução drástica do número de espectadores, desde que a região dos Alpes-Maritimes, sede das duas primeiras etapas em Nice, foi classificada como zona de circulação ativa do coronavírus. Além disso, há a determinação de um grupo restrito de cerca de 700 pessoas, entre competidores e todos os que forem convocados a trabalhar com eles (gestão de equipes, dirigentes), distância da mídia e principalmente do público, que ficará privado de selfies e autógrafos dos corredores. A lista de medidas sanitárias é longa e diz respeito principalmente aos competidores.

“Todos devemos fazer de tudo para não cometermos nenhum erro. A competição acontece em uma ‘bolha’, para minimizar o contato com o exterior. E sabemos que, em caso de infecções no pelotão, [a contaminação] pode acontecer muito rapidamente”, enfatizou nesta quinta-feira Romain Bardet, que competiu com uma camisa de bolinhas em 2019.

Ameaça em segundo plano

A realidade justifica tanta precaução. A equipe da Lotto anunciou dois casos positivos para Covid-19 entre os membros de sua equipe, imediatamente dispensados ​​do Tour. Sabendo que, caso o mesmo acontecesse para dois ciclistas durante um período de sete dias do evento, toda a equipe seria excluída.

Para os 176 ciclistas das 22 equipes, que devem usar máscaras nas zonas de largada e de chegada, de acordo com o protocolo da União Ciclista Internacional (UCI), a ameaça permanece em segundo plano. Mas, a partir das 14h (horário local) de sábado, hora da largada dada perto do Promenade des Anglais, a corrida será retomada.

Pela primeira vez desde o início da era da equipe britânica Ineos, ex-Sky (sete vitórias desde 2012), que deixou de fora dois ex-vencedores (Froome e Thomas), parece haver uma concorrência à altura. A equipe holandesa Jumbo construiu uma armada do mesmo nível em torno de Roglic e seu quase alter ego, Tom Dumoulin.

O “menu” dos ciclistas

“Será preciso ter paciência”, prevê Thibaut Pinot, esperança francesa para chegar ao degrau mais alto do pódio em Paris, 35 anos depois de Bernard Hinault. O percurso, muito dinâmico, multiplica as possibilidades de ataque desde a primeira semana, com uma travessia do sul da França que passa pelos Alpes e pela cadeia de Cevenas, e chega aos Pirineus no fim de semana seguinte.

Na segunda metade do Tour, as encostas ficam mais difíceis: em Puy Mary, no Maciço Central, no Grand Colombier, no Jura, e especialmente no Col de la Loze, a chegada inédita em 16 de setembro acima de Meribel, que é o ponto mais alto desta edição (2.304 metros), até a “contre-la-montre” individual (corrida contra o relógio), o único do Tour 2020, do Planche des Belles Filles, nos Vosges, região de Pinot.

Os ciclistas acostumados às escaladas, principalmente os andinos (Carapaz, Quintana, Lopez, Uran, Higuita e claro Bernal), e também o iniciante esloveno Tadej Pogacar, estão animados diante de tal “cardápio”. No entanto, são os velocistas (especialmente Ewan, S. Bennett e Nizzolo) que estão de olho na camisa amarela, o prêmio concedido ao ciclista mais rápido da prova.

O francês Julian Alaphilippe, que deu início ao Tour de 2019, participa da segunda etapa e tem tudo para se sair bem de novo. Mas foi Bardet quem soube traduzir o que será realmente especial nesta edição: “Estamos felizes que o Tour de France esteja acontecendo, embora seja certo que não será a festa popular de sempre. Se o Tour for até Paris, isso já será uma vitória”.

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