Maioria dos franceses está preocupada com evolução da pandemia e volta às aulas, indica pesquisa

Na resenha da imprensa francesa desta segunda-feira a preocupação dos franceses com a segunda onda da pandemia de covid-19 e a volta às aulas no país.
Na resenha da imprensa francesa desta segunda-feira a preocupação dos franceses com a segunda onda da pandemia de covid-19 e a volta às aulas no país. AP - Kamil Zihnioglu

A população francesa está preocupada com a eventual segunda onda da pandemia de Covid-19 e a volta às aulas no país. Oito em cada dez franceses estão pessimistas com a evolução da situação sanitária, apesar de novas medidas de proteção impostas pelo governo, revela pesquisa de opinião publicada por Le Figaro nesta segunda-feira (31).

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O jornal conservador escreve que às vésperas da volta às aulas na França, que acontece nesta terça-feira (1°) para 12,4 milhões de alunos, o governo não economizou esforços para tentar tranquilizar os franceses, explicar os novos protocolos sanitários e incitar a população a “aprender a viver com o vírus”.

Em vão! O empenho não teve aparentemente nenhum efeito sobre o nível de apreensão da população. A taxa de franceses preocupados com a situação sanitária no país é quase tão elevada quanto no auge da epidemia, em meados de abril, que era de 90%. A pesquisa indica ainda que sete em cada dez entrevistados temem pela saúde de seus familiares e 55% pela própria saúde.

Inquietação também econômica

A inquietação da população é também econômica. 80% dos franceses estão pessimistas com a crescimento do país e com as consequências sobre o poder de compra, mostra a sondagem realizada pelo instituto Odoxa para o Le Figaro. E a maioria deles, 54%, não está confiante no plano de apoio à economia, de € 100 bilhões, que será anunciado na próxima quinta-feira (3) pelo primeiro-ministro Jean Castex.

Único ponto positivo: 76% dos franceses são favoráveis à generalização da obrigação do uso de máscaras para barrar o aumento das contaminações. A proteção é obrigatória nos espaços públicos fechados, como escolas e transportes públicos, e também tem sido imposta pelo governo nas ruas das cidades onde o vírus voltou a circular ativamente. Apenas uma minoria não significativa mostra, nas redes sociais, sua oposição ao uso de máscaras. "Desde o início da crise, os franceses mostram que estão dispostos a abandonar uma parte da liberdade que têm em prol da segurança sanitária", afirma Gael Sliman, presidente da Odoxa.

Volta às aulas

Les Echos indica que a progressão do coronavírus passou a ser exponencial na França. O número de contágios dobrou em 14 dias - contra 17 dias uma semana antes-, com mais de 25 mil novos casos. As autoridades sanitárias francesas julgam a situação "muito preocupante". Segundo o jornal econômico, 30 a 40% dos franceses declaram não respeitar sistematicamente as medidas de prevenção.

Por isso, a volta às aulas nesta terça-feira é considerada de risco. La Croix também publica uma pesquisa indicando que 71% dos pais de alunos estão preocupados. Entre os principais motivos de inquietação está a possibilidade de uma nova quarentena ou a dificuldade que terão os filhos para recuperar o ritmo de estudo e o nível escolar perdido com o primeiro isolamento.

Além da imposição do uso de mscaras, para todas as pessoas a partir de onze, o governo também generaliza os testes de Covid. No último sábado (29), a marca de 900 mil testes por semana foi superada e agora o objetivo de governo é realizar semanalmente um milhão de testes, informa o Le Parisien.

Para atingir o objetivo, a partir desta segunda-feira, cinco laboratórios móveis serão montados nas ruas de Paris para testar a população sem receita médica, sem hora marcada e de graça. A medida visa também acabar com as longas filas de espera nos laboratórios da capital e de outras cidades francesas.

 

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