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França: julgamento de atentado contra Charlie Hebdo começa nesta quarta-feira

Sala de audência onde ocorre o processo dos atentados ocorridos em janeiro na região parisiense
Sala de audência onde ocorre o processo dos atentados ocorridos em janeiro na região parisiense REUTERS/Christian Hartmann
Texto por: RFI
4 min

Começa nesta quarta-feira (2), em Paris, o julgamento dos atentados que atingiram a França durante três dias em janeiro de 2015, causando 17 mortes. Os ataques começaram com o massacre na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro. 

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Os irmãos Said e Cherif Kouachi invadiram o local e abriram fogo contra jornalistas e desenhistas presentes em uma reunião, matando onze pessoas. Durante a fuga, eles atingiram um policial na rua. No dia seguinte, Amédy Coulibay, próximo dos irmaos Kouachi, matou uma outra policial em Montrouge, no subúrbio de Paris e, em seguida, invadiu um supermercado judeu em Vincennes, no leste da capital, onde mais quatro pessoas foram assassinadas.

Os terroristas foram mortos pelas forças de segurança em um duplo contra ataque - Coulibaly morreu na mercearia judaica e os irmãos Kouachi foram atingidos em uma gráfica no subúrbio de Paris, onde tinham se escondido. No total, 14 suspeitos de cumplicidade no ataque serão julgados. Três deles estão foragidos até hoje.

Entre os réus presentes no julgamento está um conhecido de Coulibaly, Ali Riza Polat. Ele é acusado de fornecer o arsenal usado pelos autores do atentado. O julgamento terminará em 10 de novembro. Os ataques de janeiro marcaram o início de uma série de atentados islâmicos na França, incluindo o de 13 de novembro, na casa de shows Bataclã e Stade de France, nos arredores da capital francesa, provocando 130 mortes e mais de 350 feridos.  

Alguns dos acusados podem ser condenados à prisão pertétua. A maioria deve pegar penas de até 20 anos de prisão, acreditam juristas que acompanham o caso, mas a grande dificuldade será provar qual a responsabilidade de cada um nos atos, já que os principais acusados estão ausentes.

Cúmplices "fabricados"

No total, serão ouvidas 144 testemunhas e 14 especialistas vão prestar depoimentos no tribunal. A advogada de defesa dos extremistas, Safya Akorri, teme que na ausência dos mentores dos ataques, sejam "fabricados cúmplices". Segundo ela, o processo ocorre para satisfazer a mídia e a sociedade. "É uma cicatriz extremamente profunda para toda a sociedade francesa."

O semanal Charlie Hebdo, que publicou caricaturas do profeta Maomé, era há anos alvo de ameaças terroristas em razão dos desenhos. A representação de profetas é proibida pelo islã sunita e ridicularizar ou insultar Maomé é passível de pena de morte, segundo a religião. Para marcar o início do julgamento, Charlie Hebdo publicou novamente as caricaturas na edição que chega nesta quarta-feira (2) às bancas.

Virar a página

O processo também é crucial para as vítimas. Muitas esperam que a justiça seja feita e aguardam com ansiedade os 49 dias de audiência para tentar deixar para trás o drama. Muitos sobreviventes vão prestar depoimento. Entre eles, Lilian Lepère, um jovem que ficou oito horas e meia debaixo de uma pia, sem se mexer, na gráfica onde os irmãos Koachi se esconderam antes de serem mortos pelas forças policiais.

"Ele espera que, com esse processo, a Justiça seja feita para ele e outras vítimas. Ele foi a última pessoa a ter ouvido os irmãos Kouachi quando ainda estavam vivos. Seu depoimento é importante para reconstituir os fatos e por isso ele aceitou a convocação da justiça. Não é alguém que queria se tornar famoso", declarou seu advogado,  Antoine Casubolo Ferro, à RFI.

 

 

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