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Camareira que acusou ex-diretor do FMI de estupro quebra silêncio: "se fosse pobre, estaria preso"

Fotos de arquivo com o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn em 6 de junho de 2011, à esquerda, e Nafissatou Diallo em 28 de julho de 2011, em Nova York.
Fotos de arquivo com o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn em 6 de junho de 2011, à esquerda, e Nafissatou Diallo em 28 de julho de 2011, em Nova York. ASSOCIATED PRESS - Allan Tannenbaum/Mary Altaffer
Texto por: Cristiane Capuchinho
5 min

Em 2011, a camareira Naffissatou Diallo denunciou o poderoso político Dominique Strauss-Kahn por tentativa de estupro no quarto do hotel em que ela trabalhava, em Nova York. Strauss-Kahn perdeu seu cargo e a possibilidade de concorrer às eleições presidenciais na França, mas fez um acordo financeiro para evitar o processo judicial. Nove anos mais tarde, a ex-camareira afirma que o escândalo "acabou com sua vida" e crava: "se ele fosse pobre, estaria preso".

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Após ter sua vida devassada ao longo de meses pela imprensa internacional entre 2011 e 2012, Nafissatou Diallo sumiu de cena. Em uma entrevista de capa à revista Paris Match desta quinta-feira (10), a ex-camareira diz ter sido "privada de justiça".

A justiça norte-americana nunca definiu o que aconteceu naquele dia 14 de maio, dentro de um quarto do Sofitel. O procurador Cyrus Roberts Vance Jr retirou a acusação, dizendo que havia versões conflitantes dadas pela camareira. Strauss-Kahn sempre negou as acusações. Depois disso, Diallo assinou um acordo financeiro civil com Strauss-Kahn, garantindo que não o acusaria novamente.

Na entrevista è revista francesa, a guineense explica sua escolha: "Eu queria deixar essa história para trás o mais rápido possível". A ex-camareira, no entanto, guarda rancor da forma como foi tratada pela corte de Manhattan. “Eu fui enganada e traída. Jamais me recuperarei da maneira como os promotores de Nova York me trataram”, afirma. "Garanto que se [Dominique Strauss Kahn] fosse pobre, estaria hoje na prisão."

Por que sair do silêncio uma década depois? Ela afirma que a história do escândalo vai persegui-la por toda a vida. "Decidi falar a minha verdade. Eu sofri muito e ouvi, li, muitas coisas horríveis sobre mim. Eu quero falar para as pessoas quem eu sou", afirma Diallo, que deve publicar em breve um livro sobre o caso.

O processo contra DSK, como é conhecido o político na França, terminou em um acordo financeiro que suspendeu a ação, mas ela conta que seu calvário não acabou ali. Diallo diz que recebeu ameaças de morte, cartas anônimas que "pediam dinheiro" ou a acusavam de ter "enganado" Strauss-Kahn.

Com medo por sua segurança e de sua filha, teve de mudar de apartamento para um "prédio com segurança fora de Nova York".

O que aconteceu no Sofitel?

Em maio de 2011, Strauss-Kahn, então diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), estava hospedado em Nova York para visitar sua filha. O economista francês era visto como um dos prováveis candidatos à eleição presidencial na França em 2012 e dado como favorito - se disputasse o pleito possivelmente seria o novo chefe de Estado francês.

No dia 14 de maio de 2011, DSK, como é conhecido na França, foi preso no aeroporto de Nova York após ser denunciado por assédio sexual e tentativa de estupro. A guineense Nafissatou Diallo, que trabalhava como camareira no Sofitel, o acusou de tê-la atacado naquele dia.

Na entrevista à Paris Match, Diallo afirma que entrou no quarto de DSK para fazer a limpeza, acreditando que ele estava vazio. "À esquerda, eu vi este homem nu. Então, eu grito : 'Meu Deus. Desculpe-me' e depois tudo aconteceu… quando acabou, eu fugi."

Strauss-Kahn sempre negou as acusações, e assinou um acordo com Diallo em que aceitava pagar pelo silêncio da camareira (1,5 milhão de euros, segundo o Journal du Dimanche).

Perguntada se tem arrependimentos em relação ao processo, Diallo diz que não. "Eu disse a verdade, e fui privada de justiça."

Com o dinheiro do acordo financeiro, Diallo abriu um restaurante. No entanto, ela relata que a história do escândalo continuou como um fantasma. "Curiosos vinham de longe para me ver. Não para almoçar ou jantar mas para me ver e fazer um monte de perguntas. Eles deixavam seu número de telefone... Eu acabei fechando [o restaurante]."

Ela não quis contar à revista qual é sua ocupação atual, mas diz que pretende criar uma fundação para apoiar mulheres como ela.

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