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Diante dos atrasos nos resultados, França tenta restringir testes de Covid-19 a casos “prioritários”

O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, retomou o ritual das coletivas semanais para divulgar o balanço da epidemia de Covid-19 no país.
O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, retomou o ritual das coletivas semanais para divulgar o balanço da epidemia de Covid-19 no país. ERIC PIERMONT / AFP
Texto por: RFI
4 min

O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, apresentou nesta quinta-feira (17) um balanço da epidemia de Covid-19 no país. Ele frisou a importância dos testes como método de luta contra o coronavírus, mas insistiu que o procedimento deve ser feito principalmente por pessoas consideradas prioritárias, ou seja, que apresentam sintomas da infecção viral.

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Em busca de transparência e em resposta às críticas que vêm sendo feitas ao governo, o Ministério da Saúde retomou as entrevistas coletivas sobre a pandemia, ritual que havia sido abandonado com a chegada das férias de verão no hemisfério norte. “A epidemia está novamente muito ativa em nosso país”, declarou Véran, acrescentando estar preocupado com a dinâmica de circulação do vírus em algumas regiões da França.

Usando um tom didático, o ministro explicou que até sábado (19) novas medidas restritivas devem ser tomadas em Nice (sul) e Lyon (sudeste), duas cidades que têm registrado índices de contágio bem superiores à média nacional. Véran lembrou que o patamar considerado “de alerta” é de 50 casos para cada 100 mil habitantes e que as duas localidades apresentam números três ou até quatro vezes superiores.

O representante do governo não deu detalhes sobre as medidas que serão aplicadas, mas elas devem ser similares às que foram impostas na semana passada em Bordeaux (oeste) e Marselha (sul), com a proibição de reuniões de mais de dez pessoas nos parques e praias e o cancelamento de grandes eventos. A estratégia do governo responde a uma vontade, já anunciada anteriormente, de não aplicar regras generalizadas de confinamento e impor restrições adaptadas para cada região, em função da evolução da epidemia.

“Dificuldades reais de organização”

Uma das declarações mais esperadas pela população era sobre a organização do sistema de testes. O procedimento é coberto pelo sistema público de saúde e, teoricamente, acessível a todos, já que é possível ser realizado gratuitamente e sem receita médica. No entanto, as filas de espera tanto para ser testado quanto para obter o resultado levam dias ou até semanas em algumas regiões do país. Os laboratórios têm realizado um milhão de testes do tipo PCR por semana.

Verán reconheceu "dificuldades reais de organização”, mas não anunciou novas medidas para solucionar essa demora, considerada inadmissível por muitos médicos e pacientes. Para resolver o problema, ele insistiu que as pessoas com sintomas da Covid-19 e aquelas que tiveram contato próximo e continuado com infectados devem ter prioridade na realização dos exames.

A intenção do governo francês, que era de fazer uma ampla campanha de testagem para identificar os casos assintomáticos, acaba esbarrando na falta de mão de obra nos laboratórios para enfrentar o recrudescimento da epidemia. Segundo o ministro, que no início da noite continuou explicando a estratégia do governo no jornal do canal de televisão France 2, os casos "prioritários" são aqueles que apresentam sintomas, os profissionais do setor da saúde e aqueles que apresentarem uma receita médica.

Quatro meses após o fim do confinamento, as autoridades não escondem que a situação na França é preocupante. Com cerca de 10 mil novos casos registrados diariamente, o número de pessoas contaminadas não para de crescer. Essa recrudescência começa a impactar os hospitais, com um aumento nas internações, inclusive em serviços de reanimação, algo que praticamente não acontecia desde o fim oficial da quarentena, em maio. “Nós ainda teremos que conviver com o vírus por alguns meses”, concluiu Véran.

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