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A Semana na Imprensa

Balanço de cem dias de gestão de prefeitos ecologistas gera incertezas na França

Áudio 03:15
Capa da revista L'Obs com manchete que questiona se os ecologistas têm credibilidade para governar a França.
Capa da revista L'Obs com manchete que questiona se os ecologistas têm credibilidade para governar a França. © Reprodução
Por: Adriana Moysés
6 min

Em uma semana marcada pela moratória solicitada por políticos de esquerda contra a instalação da rede 5G de telefonia móvel na França, a revista L'Obs publica um balanço dos cem dias de governo dos prefeitos ecologistas eleitos em junho, em Bordeaux, Lyon, Grenoble, Estrasburgo e outros importantes municípios franceses. A gestão dos ecologistas será um laboratório e poderá credenciar os verdes para disputar a eleição presidencial de 2022 contra o presidente Emmanuel Macron e a líder de extrema direita Marine Le Pen.

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Os prefeitos ecologistas adotaram nesses primeiros cem dias medidas sobretudo simbólicas. Algumas delas chocaram parte da população, a ponto de a revista L'Obs questionar se os verdes terão credibilidade suficiente para um dia dirigir o país. A lista de ações adotadas vai do plantio de árvores, à distribuição de refeições com produtos orgânicos nas escolas e ao fechamento de ruas de grande circulação para transformá-las em pistas cicláveis. Vários prefeitos verdes também prometeram diminuir o tráfego aéreo em seus municípios nos próximos meses.

Em Bordeaux, o prefeito ecologista, Pierre Hurmic, disse que não vai mais decorar a principal praça da cidade com a tradicional árvore de Natal no fim do ano, "um pinheiro abatido" que não corresponde à sua ideia de vegetalização das cidades. As famílias católicas de Bordeaux ficaram horrorizadas com o desaparecimento do elemento tradicional da decoração natalina, que dá vida ao centro no cinzento inverno de dezembro.

O prefeito ecologista de Lyon, Grégory Doucet, mexeu com outro símbolo arraigado na cultura do país: a Volta da França de bicicleta. Ele considera a corrida machista, por não ter pelotões de mulheres, e poluente, referindo-se à caravana de patrocinadores que distribui brindes ao público e deixa um rastro de lixo por onde passa. Doucet tem incitado outras cidades administradas pelos verdes a não mais participar do circuito da Volta da França, o evento esportivo mais popular do país.

Em Bésançon, a prefeita Anne Vignot quer congelar a construção de novos shoppings centers. Os programas de construção civil, que geram empregos, também estão na mira dos verdes, que preferem preservar a terra. Mas será que buscar uma política de urbanismo sustentável requer construir menos imóveis, questiona a reportagem da L'Obs. Segundo a revista, de linha editorial progressista, a dificuldade dos verdes será conciliar ecologia e economia.

Para o eurodeputado Yannick Jadot, que sonha em disputar a eleição presidencial em 2022 pelo partido ecologista (EELV), é contraprodutivo adotar posturas radicais. Ele critica a visão de uma ecologia "triste e punitiva".

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