Acessar o conteúdo principal

Covid-19: governo flexibiliza ainda mais protocolo sanitário nas escolas francesas

O governo francês anunciou na noite de domingo novas medidas que relaxam os protocolos de proteção à Covid-19 nas escolas francesas.
O governo francês anunciou na noite de domingo novas medidas que relaxam os protocolos de proteção à Covid-19 nas escolas francesas. AP - Jeffrey Schaeffer
Texto por: RFI
6 min

As regras envolvendo o isolamento dos alunos, funcionários ou professores que tiveram contato com um caso positivo da Covid-19 serão menos rígidas a partir desta terça-feira (22). O anúncio foi feito neste domingo(20) pelo Ministério da Educação, que lembrou que as novas medidas serão aplicadas nas pré-escolas e escolas do Ensino Fundamental até a quarta série, onde não existe obrigatoriedade do uso das máscaras. 

Publicidade

De acordo com o comunicado do Ministério da Educação francês, se um aluno for contaminado pelo vírus, a classe não será mais fechada. Até agora, nessa situação, as crianças ou adultos que estiveram próximos de um caso positivo só poderiam voltar ao estabelecimento se realizassem um teste sete dias depois do último contato, e ele fosse negativo. A partir de agora, a sala só fecha se três casos forem confirmados. 

Outra modificação no protocolo do Ministério envolve os professores da pré-escola até a quarta série do Ensino Fundamental. Antes, mesmo usando máscara, o isolamento era decretado por segurança. Com as novas regras, o professor que usa proteção não será mais considerado a risco de contágio se tiver um aluno contaminado, e poderá continuar a ministrar as aulas normalmente.

As novas medidas, explica o órgão, seguem a diretiva publicada pelo Alto Conselho da Saúde Pública na última quinta-feira (17). De acordo com o documento, "as crianças correm pouco risco de desenvolver formas graves da doença e são pouco ativas na transmissão do SARS-Cov-2." 

Segundo as autoridades sanitárias francesas, os menores de 11 anos passam pouco o vírus entre eles e transmitem raramente para os adultos que, por outro lado, podem contaminá-los com mais facilidade. Essa informação foi confirmada oficialmente pelo ministro da Saúde, Olivier Véran, que pretende manter o maior número possível de escolas e classes abertas - pelo menos 89 estabelecimentos e 2.100 classes fecharam as portas desde o início do ano letivo, em 2 de setembro, em um total de 61.500. No início da epidemia, em março, o governo francês disse o contrário e por isso decidiu fechar os estabelecimentos.

A Sociedade francesa de Pediatria também defende que os benefícios psicossociais de estar na escola são superiores ao risco que as crianças correm em relação à Covid-19. Em um documento publicado no dia 1 de setembro, os pediatras franceses reiteram que a transmissão entre os menores não é representativa e menos de 1% das hospitalizações envolvem a faixa etária até 11 anos.

Os médicos também lembram que as crianças menores de seis anos têm com frequência sintomas de outros vírus sazonais, como simples resfriados, e que os testes repetidos para controle epidêmico são contra-producentes, além de dificultar a gestão nos laboratórios, atualmente lotados. Hoje, na França, a recomendação é testar as crianças com febre que dure mais de 48 horas, tosse e cansaço extremo, além de diarreia - ou no caso de um contato próximo e prolongado com uma pessoa que teve o diagnóstico positivo confirmado.

Sindicatos e pesquisadores pedem prudência

Para muitos pesquisadores, faltam estudos para afirmar que as crianças, ainda que desenvolvam poucas formas graves, não sejam vetores da doença. A epidemiologista australiana Zoë Hide é autora de diversos estudos sobre o tema. Ela pede prudência e considera que o papel transmissor desse grupo ainda necessita de pesquisas mais aprofundadas.

O imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Qmericano de Doenças Infecciosas, lembrou em um vídeo divulgado nas redes sociais que, em áreas onde o vírus circula ativamente, como é o caso de Paris, a reabertura das escolas representa um grande risco, principalmente levando-se em conta o fato de que metade dos casos são assintomáticos. Ele preconiza testar o retorno à sala de aula onde há uma desaceleração da propagação.

Sindicatos estão preocupados

Na França, muitos sindicatos consideram que as medidas do governo são puramente econômicas, e visam facilitar a vida dos pais, que, dessa forma, podem trabalhar, sem recorrer às ajudas dos cofres públicos para ficar com os filhos em casa."Temos a impressão de que o vírus para na porta da escola", diz Guislaine David, secretária-geral do Snuipp-FSU. "As crianças não usam máscara, as classes se misturam, eles podem até contaminar menos, mas contaminam", diz. 

"O risco agora é não informar mais o pais da existência de casos na escolas, deixando o vírus se propagar dentro das famílias porque haverá alunos assintomáticos", diz. "O anúncio acontece em um contexto de retomada epidêmica, o que suscita preocupação de professores e pais de alunos", acrescenta Stéphane Crochet, secretário-geral do SE-Unsa, outro sindicato do setor.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.