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Imprensa francesa publica manifesto em defesa de Charlie Hebdo e da liberdade de expressão

Capa do jornal satírico Charlie Hebdo desta quarta-feira (23), com o manifesto pela liberdade de expressão republicado pelos principais veículos de comunicação da França.
Capa do jornal satírico Charlie Hebdo desta quarta-feira (23), com o manifesto pela liberdade de expressão republicado pelos principais veículos de comunicação da França. © Reprodução/Charlie Hebdo
Texto por: RFI
4 min

Por iniciativa de Riss, editor do jornal satírico Charlie Hebdo, representantes da imprensa francesa se reuniram em peso para rebater as ameaças à liberdade de expressão. Mais de uma centena de veículos de comunicação, incluindo a Rádio França Internacional (RFI), publicam nesta quarta-feira (23) uma "carta aberta aos franceses".

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"Nunca aconteceu que os meios de comunicação franceses, que muitas vezes defendem pontos de vista divergentes e cujo manifesto não é a forma usual de expressão, decidam em conjunto se dirigir a seus públicos e a seus concidadãos de uma forma tão solene", avisam no manifesto. “Se o fazemos, é porque nos pareceu crucial alertá-los para um dos valores mais fundamentais da nossa democracia: a sua liberdade de expressão”, reiteram.

A carta aberta, intitulada de "Juntos defendamos a liberdade", é publicada depois que jornalistas e funcionários do Charlie Hebdo voltaram a ser ameaçados de morte. Na véspera da abertura do julgamento histórico de 14 suspeitos de serem cúmplices dos autores dos atentados de janeiro de 2015, o jornal republicou caricaturas do profeta Maomé que transformaram o semanário em alvo de ataques de extremistas islâmicos. Na terça-feira (22), Marika Bret, diretora de Recursos Humanos, declarou que foi obrigada a abandonar sua casa em Paris, sob proteção policial, após ser ameaçada de morte pela Al-Qaeda e jihadistas.

“Hoje, em 2020, alguns de vocês são ameaçados de morte nas redes sociais quando expressam seus pontos de vista. A mídia é abertamente identificada como alvo por organizações terroristas internacionais. Os estados estão pressionando jornalistas franceses ‘culpados’ de publicar artigos críticos”, alertam.

A violência das palavras gradualmente se transformou em violência física, diz o manifesto, lembrando que “nos últimos cinco anos, mulheres e homens foram assassinados na França por fanáticos por suas origens ou por suas opiniões. Jornalistas e cartunistas foram executados para parar de escrever e desenhar livremente”.

O documento é assinado pelos principais veículos de comunicação da França, entre jornais, emissoras de rádio e televisão. A France Médias Monde (FMM), grupo do qual a Rádio França Internacional (RFI) faz parte, é um dos signatários.

Ideais da Revolução

Em seguida, o manifesto cita trechos da Declaração dos Direitos Humanos, que data da época da Revolução Francesa. 

“Ninguém deve se preocupar com as suas opiniões, mesmo as religiosas, desde que a sua manifestação não perturbe a ordem pública instituída pela lei”, proclama o artigo 10 do texto de 1789, incorporados à Constituição Francesa. Este artigo é imediatamente completado com o seguinte: “A livre comunicação de pensamentos e opiniões é um dos direitos humanos mais preciosos; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, exceto pelo abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei."

Portanto, diz o manifesto, é todo o edifício legal desenvolvido ao longo de mais de dois séculos para proteger sua liberdade de expressão que está sob ataque, como nunca antes em 75 anos. Desta vez com novas ideologias totalitárias, às vezes alegando ser inspiradas por textos religiosos, dizem os jornalistas.

Espíritos livres

"Obviamente, esperamos que as autoridades públicas mobilizem os recursos policiais necessários para garantir a defesa dessas liberdades e condenem veementemente os Estados que violam os tratados que garantem os seus direitos. Mas tememos que o medo legítimo da morte se espalhe e sufoque inexoravelmente os últimos espíritos livres."

“O que restará então do que sonharam os redatores da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789?”, questionam. "Essas liberdades são tão naturais para nós que às vezes esquecemos o privilégio e o conforto que elas proporcionam a cada um de nós. Elas são como o ar que respiramos, e esse ar está se tornando escasso", escreveram.

Os veículos de comunicação signatários da carta aberta também fazem um apelo ao público: "Nós precisamos de você. Da sua mobilização. Da fortaleza de suas consciências”, conclui o texto.

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