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Suspeito de ataque em Paris confessa intenção de atingir jornalistas de Charlie Hebdo

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, e o ministro do Interior, Gerald Darmanin visitam local do ataque de sexta-feira (25), no 11° distrito da capital.
O primeiro-ministro francês, Jean Castex, e o ministro do Interior, Gerald Darmanin visitam local do ataque de sexta-feira (25), no 11° distrito da capital. REUTERS - GONZALO FUENTES
Texto por: RFI
4 min

O paquistanês de 18 anos, principal suspeito do ataque ocorrido nesta sexta-feira (25) contra dois jornalistas que trabalham na produtora Premières Lignes, disse em depoimento à polícia que pensava ter esfaqueado integrantes da equipe de Charlie Hebdo. A empresa funciona no mesmo prédio onde ocorreu o massacre que dizimou a redação do jornal satírico em janeiro de 2015. O semanário deixou o local há cinco anos, transferido para um endereço mantido em segredo pela polícia francesa.

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O suspeito Ali H., nascido em 2002 em Islamabad, confessou ser o autor das agressões executadas com uma machadinha de açougueiro (cutelo), durante sua primeira audiência nas instalações da seção antiterrorismo (SAT) da brigada criminal de Paris. Os dois jornalistas barbaramente feridos na sexta-feira, confundidos com cartunistas pelo jovem paquistanês, foram operados e não correm risco de morte. Eles fumavam na calçada quando foram golpeados na cabeça, no rosto e no tórax.

O jovem declarou no interrogatório "não ter suportado" a republicação de imagens do profeta Maomé na capa de Charlie Hebdo no dia 2 de setembro passado. A decisão editorial foi uma escolha da redação de Charlie para marcar o início do julgamento de 14 réus acusados de cumplicidade nos atentados de janeiro de 2015. O massacre, também motivado na época pela publicação de caricaturas do profeta muçulmano e posteriormente reivindicado pelo grupo terrorista Al-Qaeda, matou 12 pessoas, incluindo oito cartunistas de Charlie Hebdo.

O presidente Emmanuel Macron defendeu a publicação das novas charges de Maomé, destacando que a França é um país que respeita a liberdade de imprensa e onde as pessoas têm o direito de blasfemar. A Al Qaeda, por sua vez, ameaçou o país e a equipe do satírico de novos ataques.

Segundo o jornal Le Parisien, o suspeito visitou o local do ataque na véspera para fazer um reconhecimento da área. Imagens de câmeras de segurança mostram o paquistanês passando em frente ao local na manhã de sexta-feira, antes de entrar em ação. Em sua mochila, ele carregava uma garrafa de solvente, indício revelador de seu plano inicial de incendiar o edifício, afirma o Le Parisien.

Prisão temporária prolongada

Neste sábado, a prisão temporária do suspeito foi prolongada por 24 horas. Outros nove homens são interrogados em conexão com o caso. Um argelino de 33 anos, que havia sido detido logo depois do ataque, foi libertado por não estar vinculado à agressão. A Justiça antiterrorista está encarregada do caso

Na noite de sexta-feira, o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, havia antecipado que o ataque tinha todos os indícios de um atentado terrorista perpetrado por radicais islâmicos. “Foi na rua onde ficava Charlie Hebdo, é o modo de ação de terroristas islâmicos. Evidentemente isso deixa poucas dúvidas. É um novo ataque sangrento contra nosso país e contra jornalistas”, afirmou Darmanin.

Ali H. chegou à França há três anos, enquanto menor desacompanhado. Ele foi acolhido pelos serviços sociais da infância na região metropolitana de Paris e não apresentava "nenhum sinal de radicalização", segundo o ministro do Interior. Em junho passado, o paquistanês foi detido por porte de arma branca – uma "chave de fenda".

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