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Pesquisa sobre "vestuário correto" nas escolas da França é acusada de sexualizar menores

Ilustrações e perguntas da pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) e publicada pela revista de esquerda Marianne indignaram internautas nas redes sociais.
Ilustrações e perguntas da pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) e publicada pela revista de esquerda Marianne indignaram internautas nas redes sociais. © Reprodução/Ifop
Texto por: RFI
5 min

O assunto provoca polêmica há semanas, desde o início da volta às aulas na França. O debate é inflamado por uma pesquisa, acusada de sexualizar ainda mais os corpos das adolescentes do país, com perguntas e ilustrações que indignaram os internautas.

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Realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), a pesquisa foi publicada na última sexta-feira (25) pela revista de esquerda Marianne. Intitulado de "o que é um 'vestuário correto' para uma garota na escola?", o levantamento faz eco às manifestações de estudantes do Ensino Médio contra regulamentos que exigem "roupas decentes" nos estabelecimentos de ensino da França, explicitamente direcionado às garotas.

A pesquisa ouviu 2.027 franceses sobre a polêmica que mobiliza a opinião pública e o governo há semanas no país. Os entrevistados opinaram sobre a prática do "no bra" (não usar sutiã), o uso de decotes e de miniblusas nas escolas. 

Entre os surpreendentes resultados, o Ifop revelou que 66% das pessoas interrogadas acreditam que é preciso proibir a prática do "no bra" nos estabelecimentos de ensino médio, ou seja, obrigar as garotas a usarem sutiã. Outros 62% se pronunciaram a favor de banir decotes nas escolas. Além disso, 55% se manifestaram contra o uso de miniblusas dentro dos estabelecimentos escolares. 

No entanto, não apenas os resultados da pesquisa geraram ainda mais polêmica, como as perguntas feitas aos interrogados e as ilustrações utilizadas, acusadas de sexualizar os corpos das adolescentes. Nas redes sociais, internautas não deixaram sua indignação passar em branco.

"Daqui a pouco vão começar a fazer pesquisas sobre o direito das mulheres votarem", afirma uma internauta no Twitter. "E se deixássemos tranquilos os corpos das jovens dentro de suas diversidades e suas escolhas?", diz outra publicação. "A revista Marianne está falando dos mamilos de menores de idade", diz outro comentário. 

Outra internauta, Agathe Ranc, decifra em um tuíte, o motivo da revolta: "1) Esses desenhos são alucinantes 2) Essas perguntas são alucinantes".

As reações também foram registradas dentro da classe política francesa. Jean Luc-Mélenchon, líder do partido da esquerda radical França Insubmissa, classificou a pesquisa de "propaganda para a ditadura dos puritanos". 

Jornalista e Ifop respondem à revolta

Contatado pela France Info, o jornalista Hadrien Mathoux, que redigiu a matéria publicada pela revista Marianne sobre o estudo, acredita que as críticas são "sem fundamento". "Simplesmente procuramos conhecer a opinião dos franceses sobre esse assunto. Não estamos aqui para dizer: 'é preciso pensar isso ou aquilo'", se defende. "Tenho a impressão de que as pessoas que se irritaram não leram a matéria: a apresentação dos números não é complacente com o puritanismo, ao contrário", reitera. 

Já o diretor do setor de notícias do Ifop, François Kraus, explicou porque é importante ouvir opiniões, mesmo que sejam polêmicas. "Interrogamos as pessoas maiores de idade porque seus pareceres serão levados em consideração pelo governo. Não são os jovens que decidirão como eles e elas poderão se vestir nas escolas, serão os governantes, em função do que pensam os franceses", diz.

Ele explica porque a pesquisa se concentra nas roupas femininas. "Ouvimos os franceses unicamente sobre o vestuário das mulheres porque isso está no centro da atualidade. Nenhuma vez, que eu saiba, vi qualquer matéria sobre a necessidade de avaliar a opinião dos franceses sobre as roupas masculinas", completa. 

Kraus também minimiza a polêmica sobre as ilustrações utilizadas na pesquisa. Segundo ele, os mesmos desenhos já foram usados para outros levantamentos do Ifop, "sobre o 'no bra', especialmente", mas "nunca fizeram ninguém reagir". 

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