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França tenta reunir 25.000 voluntários para testar vacinas contra Covid-19

Testes de vacina anti-covida: Inserm está procurando 25.000 voluntários.
Testes de vacina anti-covida: Inserm está procurando 25.000 voluntários. REUTERS - MURAD SEZER
Texto por: RFI
4 min

O Inserm (Instituto de Pesquisas Médicas da França) está convocando, a partir desta quinta-feira (1), milhares de voluntários para testar vacinas produzidas no país contra o SARS-CoV-2. A equipe, coordenada pela infectologista Odile Launay, espera reunir 25.000 pessoas na França para os testes – existem mais de 300 projetos de vacina em todo o mundo, em fases diferentes.

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Em entrevista à rádio France Info, a especialista lembrou que todas as pessoas maiores de 18 anos, inclusive idosas, podem participar dos testes e se inscrever na plataforma online criada especificamente para o recrutamento. No link, os candidatos respondem a um questionário de saúde e deixam seus dados para contato.

Os voluntários poderão receber vacinas produzidas na França e em outros países que estão na fase 3, a última antes do registro. Os detalhes sobre quais projetos serão testados estão em discussão , de acordo com informações divulgadas no site francês. 

Os pesquisadores esperam, com os testes, obter respostas sobre os possíveis efeitos colaterais da imunização em indivíduos "frágeis", que apresentam outras patologias e estão mais predispostos a desenvolver formas graves da Covid-19 em caso de contaminação.  

"Identificamos doenças que favorecem as complicações e aumentam o risco de morte", diz. "Gostaríamos que todas as pessoas se apresentassem, mesmo aquelas com problemas cardíacos, pulmonares ou diabetes. Este é um projeto para a população, a coletividade e para as pessoas mais frágeis", disse Launay.

O objetivo é avaliar a resposta imunitária da vacina nesses pacientes e verificar se a imunização é capaz de evitar a infecção em caso de contato com o SARS-CoV-2 ou prevenir o desenvolvimento de uma forma grave, que necessite hospitalização e coloque em risco a vida do paciente. Como existem vários tipos diferentes de imunizante em estudo, o voluntário irá receber a vacina mais compatível com o seu estado de saúde. Os voluntários serão acompanhados durante dois anos para que as equipes médicas possam verificar a ocorrência de efeitos colaterais, mesmo benignos.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, apenas 59% dos franceses estão dispostos a se vacinar contra a Covid-19, contra 74% da média mundial.

"Risco zero não existe"

O presidente do Inserm, Gilles Bloch, lembrou que o risco zero não existe, ainda que sejam raros, e os benefícios da vacinação são indiscutíveis. "A vacina será desenvolvida com todas as regras para assegurar que o benefício seja maior do que o risco. Por isso é preciso de tempo, mesmo que ele pareça longo", disse em entrevista à France Info.  

"Na melhor das hipóteses, a mais otimista, podemos ter uma vacina no inverno, em 3 meses. Começamos a ter resultados que mostram que o sistema imunológico reage à vacina, então podemos ser razoavelmente otimistas. Há testes que já estão na terceira fase, que dão elementos de eficácia e segurança."

De acordo com ele, no pior dos casos não haverá vacina antes de um ou dois anos, mas ele não acredita nessa possibilidade, em razão do "esforço imenso" da comunidade científica mundial para obter uma imunização. "Há motivos para ter esperança. Vimos resultados no modelo animal, como primatas."

Por enquanto, lembrou, é essencial continuar adotando as medidas de proteção, como distanciamento e uso de máscaras. "O uso da máscara é uma medida de precaução. Ao ar livre, a possibilidade de se contaminar é mais fraca, mas não é zero. Essa generalização é desejável em áreas onde o vírus circula muito", declarou. Este é o caso da França, onde a epidemia está avançando, e o governo começa a tomar novas medidas para restringir a propagação do vírus.

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