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Paris pode ter bares e restaurantes fechados a partir de segunda-feira para combater aumento de casos da Covid-19

Circulação intensa do coronavírus na capital francesa leva governo a estudar fechamento de bares e restaurantes por duas semanas; decisão será avaliada no domingo (3).
Circulação intensa do coronavírus na capital francesa leva governo a estudar fechamento de bares e restaurantes por duas semanas; decisão será avaliada no domingo (3). AFP - BERTRAND GUAY
Texto por: RFI
5 min

Paris e mais cinco cidades francesas poderão ser obrigadas a fechar seus bares e restaurantes a partir da próxima segunda-feira (5), caso a epidemia de coronavírus não dê sinais de recuo até domingo (4), advertiu nesta quinta-feira (1) o ministro da Saúde, Olivier Véran. A capital, Lyon, Lille, Grenoble, Toulouse e Saint-Etienne poderão ser declaradas em estado de "alerta máximo" para a Covid-19, se não houver uma inflexão do número de novas contaminações em três dias.

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Em sua coletiva semanal de balanço da epidemia, realizada no Hospital Bichat, na capital, o ministro explicou que Paris e 123 municípios de sua periferia acumulam os três critérios que correspondem a uma "zona de alerta máximo", sinônimo de restrições radicais como o fechamento completo de bares, restaurantes e outras atividades durante um período de duas semanas.

A taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva para pacientes com o coronavírus atingiu 35,3% nesta quinta-feira na região de Ile-de-France, acima do limite crítico de 30%, de acordo com dados da Agência Regional da Saúde (ARS). A taxa de incidência (novos casos em sete dias) ainda ultrapassa 250 por 100 mil habitantes em Paris (261 na quinta-feira) e a taxa de positividade dos testes continua em curva ascendente. 

Os principais sinais da epidemia permanecem em patamar preocupante. Em todo o país, o número de mortes ultrapassou a marca de 32.000 pessoas desde o início do ano, com 63 vítimas adicionais nas últimas 24 horas. Mais de 1.250 pacientes com a Covid-19 estão atualmente em tratamento intensivo na França, incluindo 135 ingressos de quarta para quinta-feira, de acordo com dados da agência nacional de Saúde Pública. Cerca de um terço dos doentes na UTI são idosos com mais de 65 anos.

A ocupação dos leitos de terapia intensiva ainda é bem inferior à registrada durante o pico da epidemia (7.000 doentes no início de abril), mas avança rapidamente. No início de setembro, havia menos de 500 pessoas em tratamento intensivo. Com 12.845 novos casos de Covid-19 confirmados em 24 horas, a taxa de positividade dos testes atingiu 7,6% contra 4% no início de setembro.  

O ministro da Saúde insistiu que não deseja ver o cenário de abril se repetir. "Aprendemos a lidar com a doença e sabemos como evitar que a situação se deteriore", disse Verán. Até que uma vacina eficaz contra o vírus Sars-CoV-2 seja descoberta, os principais instrumentos de controle da epidemia são o distanciamento físico e o uso de máscaras. 

Nos últimos dias, coletivos de médicos publicaram várias cartas abertas na imprensa francesa defendendo medidas enérgicas do governo para evitar que tenham de desmarcar cirurgias e ver o atendimento de pacientes com outras patologias prejudicado por conta da afluência de casos da Covid-19. “Como o tamanho dos hospitais não é constantemente expansível, se quisermos preservar leitos para outros atendimentos, teremos que encontrar um equilíbrio", alertou Karine Lacombe, chefe do serviço de doenças infecciosas do hospital Saint-Antoine em Paris. "Existe um 'meio-termo' a ser encontrado antes do reconfinamento total", disse a médica em entrevista à rádio RMC.

Mudança na comunicação

O governo francês se viu obrigado a mudar sua estratégia de anúncio de novas medidas de restrição. Há dez dias, o Ministério da Saúde impôs à segunda cidade do país, Marselha, o fechamento de bares e restaurantes por 15 dias sem dialogar antecipadamente com a prefeita da cidade, a ecologista Michelle Rubirola. Os donos de bares e restaurantes de Marselha, que já estavam sufocados financeiramente pelo longo confinamento de março e abril e pela ausência de turistas estrangeiros, fizeram protestos, entraram em clima de desobediência civil e até encaminharam ações à Justiça contra o Ministério da Saúde.

Essa falta de habilidade política rendeu uma semana de bombardeio da oposição contra a gestão do governo na epidemia. Mas o descuido foi rapidamente corrigido. Antes da coletiva desta quinta, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, conversou com cada um dos prefeitos das cidades que podem enfrentar restrições a partir da semana que vem. 

Os empresários do setor de restaurantes e hotelaria toleram cada vez menos o cerceamento de suas atividades comerciais, exasperados com a crise sanitária e econômica prolongada. Em Bordeaux, que assim como Paris passou a fechar seus bares às 22h desde a última segunda-feira (28), o Sindicato das Profissões e das Indústrias da Hotelaria (Umih) apelou a "todos os líderes empresariais e seus funcionários" a "protestar" em frente aos seus estabelecimentos todas as sextas-feiras e exibir um "sinal de luto".

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