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Macron garante reconstrução em visita a áreas devastadas por enchentes na França

Breil-sur-Roya, nos Alpes-Marítimos, no Sudeste da França, um dos vilarejos devastados depois das enchentes da última sexta-feira (2).
Breil-sur-Roya, nos Alpes-Marítimos, no Sudeste da França, um dos vilarejos devastados depois das enchentes da última sexta-feira (2). RFI/Alexis Bédu
Texto por: RFI
5 min

“Estaremos aqui.” Apoiando a mão nos ombros dos moradores e às vezes chorando, o presidente francês Emmanuel Macron declarou, nesta quarta-feira (7), que o Estado vai garantir meios para a reconstrução das áreas devastadas pelas enchentes da última sexta-feira (2) no Alpes-Marítimos, no sudeste da França, durante sua visita às áreas afetadas.

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“Tivemos a sensação de estarmos esquecidos por 48 horas, não devemos nos esquecer, devemos refazer nossa bela Roya e que vivamos de novo”, desabafa um morador aos prantos, em Tende, uma pequena cidade de 2 mil habitantes, agora acessível apenas por helicóptero. Macron põe a mão em seu ombro e promete: “Vamos garantir os meios (para a reconstrução) e estaremos aqui”.

Pouco antes da declaração do presidente, o prefeito de Tende, Jean-Pierre Vassallo, descreveu para ele os momentos de desespero durante a tempestade que atingiu a região: “Sexta-feira à noite foi um pesadelo. As casas foram caindo umas após as outras. Nós tivemos que evacuar o asilo, e com a equipe de cuidadores, os bombeiros, fizemos um verdadeiro milagre”.

Durante a visita, o chefe de Estado revelou o balanço dos danos causados pela tempestade Alex, que atingiu os vales dos Alpes-Marítimos: cinco mortos e sete desaparecidos, quando as autoridades estimam 13 pessoas supostamente desaparecidas.

“A perda humana é pesada, e eu quero, antes de qualquer coisa, pensar nas famílias das vítimas”, declarou o presidente durante seu discurso em Breil-sur-Roya, um dos municípios mais afetados.

Reconstrução pode custar € 1 bilhão

A reconstrução de estradas e casas destruídas, de redes de abastecimento de água e de eletricidade danificadas pode custar € 1 bilhão, estima Renaud Muselier, presidente da região de Provence-Alpes-Côte d'Azur.

Em Tende, município do vale de Roya, um dos mais afetados pelas inundações, muitos destacaram para o presidente da urgência de restaurar a linha ferroviária, uma vez que a estrada de Vintimille, na costa italiana, teve diversos trechos arrastados pela água.

“Nas próximas horas, vamos reabrir o acesso (rodoviário) pela Itália. Depois, o trem, em 4 ou 5 semanas, nos dizem os técnicos (...) A estrada principal vai levar meses, porque há pontes a serem reconstruídas, não vou mentir para vocês", declarou o chefe de Estado.

“Hoje assinamos o decreto de desastres naturais, o que vai permitir que sejam acionadas indenizações”, ele acrescentou, especificando que 80% do custo das casas a serem reconstruídas será coberto. Mas, “não vamos reconstruir de forma idêntica, porque precisamos de algo resistente”, enfatiza Emmanuel Macron.

Com o aquecimento global, esses episódios de chuvas extremas (chamados de "episódios mediterrâneos"), ligados ao ar quente e úmido que sobe do Mediterrâneo, correm o risco de se tornarem cada vez mais intensos, destaca a Météo França, a agência de metereologia francesa.

“Pior do que se fosse uma guerra”

Depois de deixar Tende, no final da tarde, Emmanuel Macron foi para Breil-sur-Roya e Saint-Martin-Vésubie, duas outras cidades fortemente afetadas pelas inundações. O presidente falará da estação de Breil-sur-Roya, transformada em plataforma logística, e onde estão chegando muitas doações, de comunidades, supermercados, associações e pessoas físicas. O tráfego de helicópteros é permanente. Alimentos e artigos de primeira necessidade aguardam o carregamento para chegarem a Tende e seus vilarejos, La Brigue, Saorge e Fontan, isolados pela estrada demolida pelas chuvas.

O chefe de Estado encerrará sua visita à noite no centro operacional instalado na Prefeitura de Nice. “A Nação vai estar presente todo o tempo”, ele insistiu. Do lado do departamento dos Alpes-Marítimos, estima-se que 1.500 atores econômicos estarão em dificuldades, em vales que vivem principalmente do turismo.

“A reconstrução deve ser feita rapidamente, em um ano, no máximo dois anos, para restaurar tudo”, defendeu nesta terça-feira (6) em entrevista à agência AFP o presidente do departamento, Charles-Ange Ginesy, explicando que pedirá € 250 milhões ao Estado para prevenção de riscos.

Já Christian Estrosi, prefeito de Nice, anunciou que pedirá ao presidente da República "a rápida implementação" de reduções de impostos, taxas e contribuições para "todos os indivíduos e negócios afetados".

Na zona agrícola, cerca de 120 agricultores sofrem com a tragédia. “É um desastre, é pior do que se fosse uma guerra”, compara Jean-Pierre Cavallo, um pecuarista da pequena cidade de Saorge, no vale de Roya, que perdeu quase tudo com a inundação.

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