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Governo francês pode impor toque de recolher noturno em zonas de risco à Covid-19

Após impor o fechamento de bares nas cidades que fazem parte da zona de alerta máximo à Covid-19, o governo francês não descarta a determinação de um toque de recolher noturno.
Após impor o fechamento de bares nas cidades que fazem parte da zona de alerta máximo à Covid-19, o governo francês não descarta a determinação de um toque de recolher noturno. AP - Francois Mori
Texto por: RFI
4 min

Há várias semanas a França observa a quantidade de infectados pelo coronavírus subir vertiginosamente. As consequências das novas contaminações já é sentida nos hospitais, onde a quantidade de internações e casos graves também vêm aumentando. Após impor o fechamento de bares nas cidades que fazem parte da zona de alerta máximo à Covid-19, o governo não descarta a determinação de um toque de recolher noturno.

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"Tudo está sendo considerado. Honestamente, todas as opções estão sobre a mesa", garantiu nesta terça-feira (13) Marlène Schiappa, ministra encarregada da Cidadania, em entrevista ao canal de TV LCI. "Nada está excluído, já que o vírus se propaga", reiterou, sublinhando que as medidas mais recentes do governo para tentar barrar a epidemia "não são suficientes".

O presidente francês, Emmanuel Macron, concederá uma entrevista na televisão na noite de quarta-feira (14). Nesta manhã, ele presidiu um novo Conselho de Defesa Sanitária para tentar desacelerar a propagação do coronavírus na França. O país chegou a registrar 27 mil novos casos de Covid-19 em apenas um dia e conta atualmente com mais de 1.500 pacientes hospitalizados em estado grave, um recorde desde 27 de maio.

Um novo "arsenal" contra a Covid-19

A imprensa francesa tenta se antecipar aos anúncios que deve fazer Macron na quarta-feira e aponta três possíveis medidas do novo "arsenal" do governo contra o coronavírus. Segundo o site da revista Le Point, três cenários para um toque de recolher noturnos são considerados pelo governo, sobretudo para a  região parisiense: a partir das 20h, 22h ou 23h.

A opção de um novo lockdown nacional, como o realizado entre março e maio, é totalmente descartada pelo Executivo, segundo uma fonte governamental citada pelo jornal Le Monde. No entanto, na segunda-feira (12), ao admitir pela primeira vez que a França enfrenta a segunda onda da Covid-19, o primeiro-ministro Jean Castex mencionou a possibilidade de confinamentos "localizados". "Nada deve ser excluído quando vemos a situação em nossos hospitais", reiterou.

Alguns jornais franceses também falam da "bolha social", uma outra medida considerada pelo Conselho Científico, grupo criado pelo governo no início da crise sanitária para estudar e sugerir soluções contra a doença. Para lutar contra o aumento de contaminações sem precisar recorrer a um lockdown, o conceito é simples: cada lar deve escolher um pequeno número de pessoas com as quais é possíver ter contato. Na Bélgica, por exemplo, quando essa restrição entrou em vigor, em julho, o limite era de cinco pessoas, mas recentemente diminuiu para três.

Possibilidade de toque de recolher gera polêmica

Entre todas as medidas evocadas pela imprensa francesa, o toque de recolher é o que mais resultou em reações negativas. Médicos e a classe política já começam a reagir e a criticar a possibilidade.

"É a simbologia de um governo que está correndo atrás da doença e é tudo o que não se deve fazer", afirmou à FranceInfo o clínico-geral Jérôme Marty, presidente da União Francesa pela Medicina Livre. O especialista recomenda o isolamento dos casos positivos e a realização mais rápida de testes "para irmos quase mais rápido do que a doença", o que, segundo ele, "não é o que está sendo feito hoje". 

Deputados, tanto de esquerda quanto de direita, exigem uma maior coordenação e coerência para a aplicação de novas restrições. Alguns classificam a possibilidade como "uma piada de mau gosto".

"Não acredito nessa medida. Não será possível aplicá-la. A França não conta com um efetivo policial para gerenciar um toque de recolher. É uma piada de mau gosto", afirmou o chefe do partido União dos Democratas e Independentes (UDI), Jean-Christophe Lagarde. 

"É uma decisão pesada, uma restrição importante de liberdade", declarou o deputado Boris Vallaud, do Partido Socialista (PS). Segundo ele "uma gestão falha e desorganizada corre o risco de gerar uma revolta". 

O deputado Pierre Dharréville, do Partido Comunista Francês (PCF), evoca o mesmo cenário: "as medidas verticais têm efeitos colaterais e são cada vez menos aceitas", aponta.

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