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Após “última noite de liberdade”, toque de recolher inicia na França

Nos restaurantes, como este em Paris, o limite imposto pelas autoridades agora é de seis pessoas à mesa.
Nos restaurantes, como este em Paris, o limite imposto pelas autoridades agora é de seis pessoas à mesa. REUTERS - PASCAL ROSSIGNOL
Texto por: RFI
4 min

Desde a 0h deste sábado (17), passaram a entrar em vigor as novas medidas contra a propagação do coronavírus na França. Nove metrópoles, entre elas Paris, agora observam um toque de recolher, em vigor de 21 h às 6h. O país volta ao estado de emergência sanitária.

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Cerca de 20 milhões de habitantes estão submetidos às novas regras, aplicadas num momento em que a França chega a registrar mais de 30 mil novos casos de Covid 19 por dia. Na véspera das novas medidas restritivas, milhares de franceses estavam nas ruas para aproveitar “uma última noite de liberdade", como definiu a jovem parisiense Raphaela, pouco antes de jantar com grupo de amigos.

"Será muito difícil não ter uma vida social por várias semanas", disse ela.  

Nos restaurantes, o limite imposto pelas autoridades é de seis pessoas à mesa. "Vai ser um período duro para restaurantes, para a cultura, mas, em parte, não temos outra opção se quisermos barrar o aumento de casos e evitar a saturação nos hospitais", avalia Jacqueline, que fez reserva em seu restaurante preferido assim que o presidente Emmanuel Macron anunciou as medidas, na noite de quarta-feira (14).

As autoridades francesas também proibiram casamentos e outras festas em locais públicos, pedindo à população que limite as reuniões em casas a também seis pessoas. Além da capital, as medidas valem em Lyon, Lille, Toulouse, Montpellier, Saint-Etienne, Aix-Marseille, Rouen e Grenoble.

Expectativa de melhora em até três semanas

As novas regras, validas por pelo menos um mês, preveem algumas exceções, que devem ser justificadas em um documento disponibilizado pelo Ministério do Interior. Os franceses podem sair à rua apenas se forem ou retornarem do trabalho, por motivos de saúde, para visitar um familiar dependente ou para passear com o cão. Os infratores pagarão uma multa de € 135 (R$ 885).

Se o ritmo de contágios não baixar significativamente em duas a três semanas, o toque de recolher poderá ser prorrogado por até seis semanas, com o aval do Parlamento. O país acumula mais de 33 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, está pressionando o governo para afrouxar as regras para teatros, cinemas e outros espaços culturais, que puderam reabrir no fim de junho.    A ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, apoiou a ideia, mas o primeiro-ministro, Jean Castez se opôs veementemente.

Os donos de restaurantes também criticam a mudança, uma vez que as regras de distanciamento social estão em vigor em seus estabelecimentos.

Hospitais sob tensão

Enquanto isso, o aumento das infecções levanta preocupações quanto à saturação dos hospitais. A situação já é tensa em algumas regiões, como em Paris, onde a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva por pacientes com covid-19 já ultrapassa 40%.

Para o país como um todo, o número de pacientes internados atualmente em terapia intensiva aumentou bastante nos últimos dias, para 1.741, de uma capacidade total de 5.800 leitos, segundo o ministro da Saúde, Olivier Véran.

Na Alemanha, Merkel recomenda à população ficar em casa

Na vizinha Alemanha, a aceleração da epidemia levou a chanceler Angela Merkel a pedir solenemente neste sábado (17) à população que reduza ao máximo as suas interações sociais e fique em casa. “Renuncie a qualquer viagem que não for realmente necessária, a qualquer celebração que não for essencial. Queiram ficar em casa, no seu local de residência, na medida do possível”, declarou Merkel, em seu podcast semanal.

“O que vai acontecer no inverno e no Natal será decidido nos dias e semanas a seguir”, argumentou a chanceler.

A Alemanha registrou 7.830 novos casos de coronavírus nas últimas 24 horas, um recorde para o país desde o início da pandemia de Covid-19. O país soma 9.767 mortes pela doença.

Com informações AFP

 

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