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Hospitais franceses estão sem margem de manobra para enfrentar a segunda onda da Covid-19

UTI do Hospital de Marselha, no sul da França, atende paciente de Covid-19, em 8 de setembro de 2020.
UTI do Hospital de Marselha, no sul da França, atende paciente de Covid-19, em 8 de setembro de 2020. REUTERS - Eric Gaillard
Texto por: RFI
5 min

Apesar do toque de recolher em vigor em Paris e mais oito cidades francesas desde o último sábado (17), o número de contaminações pelo coronavírus continua a aumentar e volta a provocar tensão nos hospitais do país. O número de pacientes internados em UTIs, com a forma grave da Covid-19, é atualmente superior a 2.000, um patamar que não era atingido desde maio. Especialistas dizem que a margem de manobra do sistema hospitalar para enfrentar essa segunda onda é menor do que no início pandemia, no primeiro semestre.

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A situação nos hospitais é particularmente tensa na região metropolitana de Paris. Na segunda-feira (19), 605 pacientes foram admitidos nos serviços de reanimação, contra 528 na sexta-feira (16). A taxa de ocupação de leitos Covid-19 nas UTIs da região atingiu 54%, segundo a Agência Regional de Saúde.

Em todo o país, foram 269 novos pacientes graves admitidos em terapia intensiva (contra 147 no domingo). Com isso, o número atual de internações em UTIs é de 2.099 pessoas. Esta é a primeira vez desde meados de maio que esse patamar é atingido. No pico da epidemia, em abril, mais de 7.000 pacientes ocupavam leitos nas unidades de cuidados intensivos.

Todos os índices estão em alta. Na segunda-feira, 146 pessoas morreram vítimas do novo coronavírus, contra 85 no domingo, elevando o número total de mortes desde o início da epidemia para 33.623.

A taxa de positividade (proporção de exames positivos em relação ao total de exames realizados) aumenta rapidamente. Ela atingiu 13,4%, contra 9% há apenas 12 dias, e cerca de 4,5% no começo de setembro. Nas últimas 24 horas, 13.243 novo casos foram registrados.

Hospitais sob tensão

A França tem ao todo 5.800 leitos de UTIs, informou o ministro da Saúde, Olivier Véran. Desde o início da segunda onda da epidemia, o governo dizia que a taxa de ocupação dessas vagas com pacientes da Covid-19 não deveria ultrapassar 30%, volume que já foi atingido em nível nacional.

Em algumas cidades em alerta máximo para a Covid-19, as autoridades sanitárias tentam aliviar os serviços de atendimento para enfrentar a alta de casos, adiando atos não emergenciais. Em Lille, no norte da França, o sistema hospitalar da cidade pediu aos profissionais de saúde (médicos e enfermeiras) para adiar as férias de outono, que acontecem neste momento. Os sindicatos criticam a demanda lembrando que os funcionários estão exaustos e reivindicam novas contratações.

Em um manifesto publicado no último fim de semana, a Federação Francesa dos Enfermeiros de UTIs (FNIR) denunciou que "os hospitais não dispõem de meios para enfrentar a segunda onda da epidemia". Eles lembram que a situação atual é muito diferente do primeiro semestre. No início da epidemia, os casos de contaminação se concentraram em algumas regiões da França. Hoje, todo o território é atingido, impedindo a transferência de pacientes de uma cidade para a outra, por exemplo.

A FNIR alerta que, se as previsões epidemiológicas se confirmarem, essa nova onda será maior e mais duradoura. O governo anuncia uma mobilização para abrir 7.000 leitos adicionais em UTIs, mas “eles não terão os equipamentos adequados para os cuidados complexos dos pacientes graves de Covid-19 e não existe reserva de profissionais suficientes”, aponta o manifesto dos enfermeiros. Eles ressaltam que a única saída eficaz é reduzir o número de contaminações.

O Conselho Científico, que assessora o governo, teme que os hospitais do país estejam sobrecarregados "em algumas semanas".

Toque de recolher é respeitado

O toque de recolher para lutar contra a propagação do vírus entrou em vigor em Paris e mais oito cidades franceses no último sábado. Desde então, a polícia realizou quase 20.000 controles e multou 3.019 pessoas ou estabelecimentos, segundo o primeiro balanço divulgado pelo ministro do Interior, Gérald Darmanin.

Em entrevista ao canal de TV TF1, o ministro disse que essa primeira avaliação mostra “que a polícia está mobilizada e que os franceses estão atentos às condições sanitárias impostas pelo presidente da República”.

Os habitantes da região metropolitana de Paris, Lyon, Lille, Toulouse, Montpellier, Saint-Etienne, Aix-Marseille, Rouen e Grenoble não podem circular entre 21h e 6h da manhã e todos os espaços públicos devem permanecer fechados. Poucas exceções são permitidas e quem não respeitar a regra está sujeito a multa de € 135 (R$ 950). A medida fica em vigor no mínimo até 14 de novembro, mas o governo quer que o Parlamento autorize a extensão do toque de recolher até o início de dezembro.

A Assembleia Nacional francesa se reunirá excepcionalmente no sábado (24) e no domingo (25) para examinar o projeto de lei que amplia o estado de emergência sanitária no país.

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