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França registra mais de 500 mortos por Covid-19 em 24 horas: um recorde desde abril

Equipe médica trata de paciente contaminado pelo coronavírus na UTI do hospital Robert Ballanger, em Aulnay-sous-Bois, na grande região parisiense, nesta terça-feira (26).
Equipe médica trata de paciente contaminado pelo coronavírus na UTI do hospital Robert Ballanger, em Aulnay-sous-Bois, na grande região parisiense, nesta terça-feira (26). REUTERS - GONZALO FUENTES
Texto por: RFI
4 min

A França registrou 523 óbitos por Covid-19 em apenas 24 horas, anunciaram as autoridades sanitárias nesta terça-feira (27). O alto número de vítimas da doença era inédito desde 22 de abril, quando o país contabilizava 544 mortes.

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Os números são surpreendentes: em apenas 24 horas, o número de mortos por coronavírus quase dobrou na França. Na segunda-feira (26), as autoridades sanitárias anunciaram 257 óbitos, evidenciando um agravamento da crise sanitária que médicos e cientistas vêm prevendo há meses.

A mortalidade é alta tanto nos hospitais - que registraram 288 mortes nas últimas 24 horas - quanto nas casas de repouso para idosos, que apontam para 235 óbitos no mesmo período. Com esses números, a França contabiliza, no total, 35.541 mortos desde o início da crise sanitária, em março deste ano. 

O país também registra 33.417 novas contaminações de um total de 1.198.695 casos. O número de pessoas hospitalizadas também continua aumentando. Atualmente 18.978 pacientes estão internados, enquanto as UTIs receberam 148 doentes a mais do que na véspera, contabilizando 2.918 casos graves. 

Superlotação de hospitais

Com a segunda onda de Covid-19 se intensificando, a situação é cada vez mais preocupante nos hospitais franceses. Em 20 de outubro, a taxa de ocupação dos leitos nas UTIs de Île de France, região onde está situada Paris, já era de mais de 60%. Cirurgias que não são urgentes já começam a ser adiadas e pacientes são transferidos para outras cidades.

Nesta terça-feira, oito pacientes da região Auvergne-Rhône-Alpes, no sudeste, foram levados em um avião sanitário para a Pays de la Loire, no noroeste, para aliviar as UTIs saturadas de pacientes contaminados pela Covid-19. Outros 25 doentes serão encaminhados na quarta-feira (28) a outras partes da França. 

Os hospitais da região parisiense se organizam como podem para atender os doentes e devem gerenciar todas as emergências e não apenas os doentes graves da Covid-19, como ocorreu no auge da crise sanitária, em março e abril. Independentemente da epidemia, as UTIs já ficam mais sobrecarregadas no inverno. Com a segunda onda do coronavírus, o temor das autoridades é que se atinja o sistema de saúde chegue ao limite. 

Novo lockdown?

O porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, afirmou nesta terça-feira que, diante do aumento exponencial do número de mortes e contaminações, o país "terá de tomar medidas". O presidente Emmanuel Macron passou o dia em um Conselho de Defesa, que continua amanhã e que tem o objetivo de determinar novas restrições para tentar desacelerar a propagação da Covid-19. Segundo Attal, todas as possibilidade estão sobre a mesa e o governo pode tanto "estender o toque de recolher" ou anunciar "um novo lockdown que pode ser local ou nacional".

Macron também previu um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na quarta-feira às 20h de Paris (16h de Brasília). Os anúncios que pretende fazer são pré-classificados como "impopulares" por fontes do governo. Nesta terça-feira, o primeiro ministro francês, Jean Castex afirmou durante o Conselho de Defesa que "novas medidas" são "indispensáveis. 

Muitos médicos e especialistas vêm alertando o governo sobre a degradação da epidemia na França. Na segunda-feira (26), o presidente do Conselho Científico, Jean-François Delfraissy, classificou a situação no país de "crítica" e afirmou que a segunda onda pode ser "mais forte do que a primeira". 

Para o infectologista Gilles Pialoux, é preciso impor um novo lockdown, "uma medida drástica, mas indispensável" porque, segundo ele, a circulação do vírus está "fora do controle". O especialista alerta que a maior dificuldade em barrar a progressão da epidemia no país é que atualmente ela é "nacional" e não "concentrada em algumas regiões", a exemplo do que ocorreu em março e abril. 

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