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Macron pode decretar quarentena 'light' para conter explosão de Covid-19 na 2ª onda

O primeiro-ministro Jean Castex em visita a um hospital de Lille. Em 16 de outubro de 2020.
O primeiro-ministro Jean Castex em visita a um hospital de Lille. Em 16 de outubro de 2020. Denis Charlet/Pool via REUTERS
Texto por: Maria Paula Carvalho
5 min

No momento em que a França enfrenta uma situação sanitária "muito difícil, até crítica", segundo os cientistas que aconselham a presidência, o governo estuda novas medidas para combater a Covid-19 e deverá anunciar um endurecimento das regras de contenção da epidemia, em até 48 horas.

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Várias opções estão sendo analisadas, como estender o toque de recolher, confinamentos locais ou somente nos finais de semana. Todas as alternativas estão em estudo, segundo o Palácio do Eliseu. Porém, seja qual for a medida adotada, um segundo confinamento, caso aconteça, não deverá ser igual ao de março passado.

O agravamento da crise sanitária fez o presidente francês mudar a agenda prevista para esta terça-feira (27). Macron tinha uma viagem para tratar sobre o tema da energia nuclear, mas preferiu cancelar o deslocamento para se concentrar na crise da saúde. O chefe de Estado vai se reunir duas vezes com o Conselho de Defesa, na manhã desta terça e na quarta-feira (28) para discutir a reação das autoridades frente ao aumento da circulação do coronavírus.

A França registrou 26.700 novos casos positivos e 257 mortes por Covid-19 nas ultimas 24 horas, depois de bater o recorde de mais de 52.000 novos casos positivos, na véspera. Ainda que o Executivo já tenha manifestado o desejo de evitar um novo confinamento geral, as alternativas de que ele dispõe, atualmente, devem recrudescer o cotidiano dos franceses e diminuir os contatos sociais.

Hipóteses em estudo

Entre as hipóteses avaliadas constam: um toque de recolher reforçado, possivelmente começando mais cedo, às 19h; um confinamento circunscrito a certos departamentos ou compatível com a atividade econômica, com o fechamento de todo o comércio não essencial; ou um confinamento total direcionado aos mais idosos e vulneráveis.

O primeiro ministro Jean Castex recebe na tarde desta terça-feira os dirigentes de todos os partidos políticos e sindicais para discutir essas hipóteses em estudo.

Atualmente, 54 departamentos da França estão submetidos a um toque de recolher noturno, entre 21h e 6h. Porém, para Philippe Amouyel, professor de saúde pública do Hospital Universitário de Lille, a medida aplicada por 2/3 dos franceses não é suficiente.

“Quando as pessoas estão na rua ou no transporte público, a maioria respeita as medidas de restrição. O problema é o contato em casa e com o mundo exterior, com amigos, com parentes, em passeios. Certamente é daí que se origina a progressão do vírus," explica.

Diante dessa constatação, muita gente se pergunta se não seria mais fácil e simples confinar toda a população novamente?  “Seria uma solução eficaz do ponto de vista sanitário, mas que impõe inúmeros problemas no plano econômico e social”, responde Didier Pittet, chefe do serviço de epidemiologia do hospital universitário de Genebra e presidente da missão de avaliação sobre a gestão da crise sanitária.

Rumo a uma quarentena mais flexível?

Em entrevista à RFI, o infectologista diz que “há duas opções: uma que consiste em reforçar as medidas, como um toque de recolher mais cedo ou a interdição de certos tipos de reuniões, o que poderia ser impopular, ou um reconfinamento que não seria tão dramático quanto o que vivemos em março”, completa. “Poderíamos deixar as escolas abertas, porque é muito difícil para os pais fazerem teletrabalho com as crianças em casa”, avalia.

“O home office pode ser implementado por certas empresas, como os bancos ou seguradoras, que poderiam ter até 80% do pessoal em casa, mas compreendemos que certos ramos exigem a presença dos operários, como a construção civil”, acrescenta o especialista.

“Hoje temos a impressão de que as decisões são tomadas tardiamente, mas o número de casos aponta que o vírus está circulando entre a população. Nesse contexto, o importante é diagnosticar e apontar os casos que merecem hospitalização e ficar atento ao número de pacientes em cuidados intensivos”, diz.

“Evitar a transmissão do vírus exige as boas práticas: respeitar o distanciamento social, lavar as mãos regularmente, usar a máscara quando for necessário ou recomendado. Assim podemos poupar os mais vulneráveis de se contaminar e desenvolver uma forma grave da doença,” conclui o infectologista francês.

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