Acessar o conteúdo principal

Presidente do Culto Muçulmano na França condena caricaturas de Maomé nas escolas

O presidente do Conselho francês do culto muçulmano (CFCM) Mohammed Moussaoui é contra a exibição de caricaturas de Maomé nas escolas.
O presidente do Conselho francês do culto muçulmano (CFCM) Mohammed Moussaoui é contra a exibição de caricaturas de Maomé nas escolas. KENZO TRIBOUILLARD / AFP
Texto por: RFI
3 min

Em entrevista publicada nesta terça-feira (27) no site Franceinfo, uma das lideranças da religião muçulmana na França diz não concordar com a apresentação de charges do profeta Maomé aos estudantes franceses. “Existem outras maneiras de explicar o respeito mútuo, o respeito pela liberdade de cada um”, argumenta Mohammed Moussaoui, presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano.

Publicidade

“O dever da fraternidade impõe a todos renunciar a certos direitos”, destacou, num momento em que a Turquia lidera um movimento internacional de boicote aos produtos franceses em razão da defesa do presidente Macron à liberdade de caricaturar o profeta Maomé, o que Mohammed Moussaoui criticou como um “vontade deliberada de ofender os sentimentos dos muçulmanos”.

“A lei permite que os cartunistas façam caricaturas, mas esse mesmo direito também permite que os muçulmanos não gostem dessas caricaturas, ou mesmo as odeiem. Mas nada pode justificar um assassinato ou agressões a quem faz caricaturas”, admitiu o líder religioso. “Não acho que essa seja a maneira certa de ensinar as crianças sobre liberdade de expressão. Existem outras formas de explicar o respeito mútuo”, completou.

Reestruturação do Islã na França

Moussaoui se encontrou com o presidente francês na segunda-feira (26) para discutir o assunto. “Trata-se de reestruturar a organização do Islã na França, estudar as possibilidades de formação de chefes religiosos, e de financiamento”, explicou o presidente do Conselho Francês de Culto Muçulmano.

O conceito de islamofobia está no centro dos debates na França desde o assassinato de Samuel Paty por um extremista checheno, no dia 16 de setembro, após o professor de história ter mostrado desenhos do profesta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão, nos arredores de Paris.

“Existem atos antimuçulmanos, mas dizer que a França é islamofóbica é um exagero que não aceitamos. Os muçulmanos na França não são perseguidos, eles vivem livremente a sua cidadania”, fez questão de destacar Mohammed Moussaoui.

“Estamos diante de duas atitudes que devem ser fortemente condenadas: aqueles que querem colocar todos os muçulmanos da França no banco dos acusados ​​de terrorismo e aqueles que querem tornar todos os franceses islamofóbicos. São duas atitudes extremas que, infelizmente, se retroalimentam”, observou.

No momento em que a França tenta fechar o cerco contra os radicais islâmicos, investigando publicações de ódio na internet e mesmo fechando mesquitas em Paris, o líder islâmico pede mais proteção. “Cabe ao poder público implementar todas as medidas que permitam manter a nossa segurança”, disse. “As autoridades públicas têm o papel de investigar, controlar e proibir se houver evidências. Devemos confiar nas instituições que garantem o Estado de Direito”, concluiu Moussaoui.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.