Migrante tunisiano que matou três pessoas em igreja de Nice carregava três facas, relata procurador

O procurador da República Jean-François Ricard.
O procurador da República Jean-François Ricard. AP Photo/Thibault Camus

O procurador antiterrorista Jean-François Ricard informou que o autor do ataque que deixou três vítimas na manhã desta quinta-feira (29) na basílica Notre-Dame de Nice carregava com ele três facas, um Alcorão e um telefone celular. Segundo o procurador, que deu uma coletiva sobre o caso às 21h de Paris, 17h em Brasília, o tunisiano de 21 anos, gravemente ferido durante a operação policial para sua detenção, foi operado e está com o prognóstico vital comprometido.

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O procurador disse que o agressor, identificado pela imprensa como Brahim Aoussaoui, nascido em 1999 na Tunísia, carregava um documento da Cruz Vermelha italiana. Sua identificação foi confirmada pelos investigadores franceses. Ele era desconhecido dos serviços de inteligência da França.

O suspeito entrou na Europa com um grupo de migrantes que chegou à ilha italiana de Lampedusa no dia 20 de setembro passado. Depois de passar um período de quarentena, desembarcou em Bari no dia 9 de outubro, acrescentou o procurador, sem se referir à data de entrada no território francês.

Imagens de vídeo da segurança pública de Nice mostram que o homem entrou na estação de trem da cidade, nesta quinta-feira (29), às 6h47. Minutos mais tarde, ele trocou de roupa e quando eram 8h13 partiu para a basílica, que fica a 400 metros da estação.

Ao entrar na igreja, a primeira pessoa que ele golpeou à faca foi uma mulher de 60 anos. O procurador confirmou que ela foi degolada. Seu corpo foi encontrado ao lado da pia de água benta. Na sequência, o agressor atacou o sacristão laico da basílica, que também "sofreu um grande ferimento na garganta". Casado, pai de duas meninas, ele faria 55 anos nesta sexta-feira (30). A última vítima atingida foi uma mulher de 44 anos que, mesmo ferida, conseguiu fugir, mas morreu minutos depois em um bar onde buscou refúgio em frente à igreja. Antes de morrer, ela teria dito às pessoas que estavam no local: "Digam a meus filhos que eu os amo", segundo depoimentos de testemunhas divulgados pelo canal BFMTV.

De acordo com a descrição do procurador, quatro agentes da polícia municipal entraram na igreja às 8h57 para deter o homem, que teria andado na direção dos policiais gritando Allahu Akbar, expressão que se tornou uma assinatura de atentados praticados por extremistas islâmicos e quer dizer "Alá é o Maior". Os policiais tentaram imobilizá-lo inicialmente usando uma pistola elétrica do tipo Taser, e depois atiraram contra o suspeito com um revólver. Quatorze cartuchos de bala foram encontrados no chão, detalhou o procurador. Ricard disse ainda que a lâmina usada para matar as vítimas tinha 17 centímetros. Os policiais encontraram dentro da basílica um saco plástico com alguns pertences do tunisiano, um aparelho de telefone e outras duas facas não utilizadas. 

Falando em um "caso complexo", Ricard disse que várias investigações foram abertas para determinar o percurso do suspeito.

O prefeito de Nice, Christian Estrosi, atribuiu o atentado ao "islamofascismo" e disse que a França deve "eliminá-lo". "Já basta", afirmou o político do partido conservador Os Republicanos. O atentado em Nice acontece menos de duas semanas depois do assassinato por decapitação do professor Samuel Paty em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena localidade de 35.000 habitantes a 50 quilômetros de Paris, por ter exibido charges do profeta Maomé durante uma aula.

Sete mil militares para patrulhar igrejas no feriado de finados

Após este terceiro ataque terrorista num intervalo de um mês e meio, o governo francês elevou ao nível de alerta máximo seu plano de segurança chamado Vigipirate. O presidente Emmanuel Macron anunciou ter aumentado de 3.000 para 7.000 o número de soldados que farão a patrulha nas ruas de todo o país. Na véspera do feriado de Todos os Santos e da celebração de finados, os militares irão proteger particularmente os locais de culto.

“Não vamos desistir” dos valores que constituem a França, principalmente "a liberdade de ter ou não ter fé", martelou o chede de Estado, manifestando "todo o apoio da nação aos católicos".

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