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Macron cria Conselho de Imãs para evitar "politização do Islã" na França

O presidente francês Emmanuel Macron obtem do Conselho Francês do Culto Muçulmano que este passe a certificar os imãs.
O presidente francês Emmanuel Macron obtem do Conselho Francês do Culto Muçulmano que este passe a certificar os imãs. AP - Michel Euler
Texto por: RFI
3 min

O presidente francês Emmanuel Macron recebeu nesta quinta-feira (19) os líderes da fé muçulmana na França que, a seu pedido, apresentaram as linhas gerais de um conselho nacional de imãs. O órgão seria responsável por categorizar os chefes do culto islâmico no território francês, segundo o Palácio do Eliseu.

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O chefe de Estado também pediu que os imãs elaborassem, dentro de duas semanas, uma "carta dos valores republicanos", com a qual o Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM) e as nove federações que o compõem terão que se comprometer. O presidente francês combinou de se encontrar com as lideranças muçulmanas em quinze dias para a apresentação da carta.

O documento, pediu Macron, deve reafirmar o reconhecimento dos valores da República, especificar que o Islã na França é uma religião e não um movimento político, e estipular o fim da ingerência ou filiação a Estados ou grupos estrangeiros.

Desde o seu discurso contra o separatismo e o Islã radical, no início de outubro, e especialmente desde o assassinato do professor Samuel Paty e o atentado que deixou três mortos no final de outubro em Nice (sudeste da França), Emmanuel Macron intensificou sua pressão sobre os órgãos islâmicos na França para lutar contra a influência estrangeira, a radicalização e o que é conhecido no país como a "politização do Islã".

"Posições ambíguas"

O objetivo do presidente francês é pôr fim, em quatro anos, à presença na França dos 300 imãs estrangeiros "destacados" pela Turquia, Marrocos e Argélia. Nesta quarta-feira, ele recebeu não apenas o presidente do CFCM, Mohammed Moussaoui e Chems-Eddine Hafiz, reitor da Mesquita de Paris, mas também os representantes das federações que compõem o CFCM.

O presidente francês disse saber que várias dessas federações têm posições ambíguas sobre esses assuntos e que é preciso "sair dessas ambiguidades". Dentre as nove federações, que são representantes de grande parte do culto muçulmano, três não têm "uma visão republicana", "como os Milli Görüs, de obediência turca, e os muçulmanos da França, ex-UOIF", detalhou o Eliseu .

“Se alguns não assinarem esta carta, teremos consequências”, avisou o presidente, que “tomou nota das propostas”. O conselho de imãs não só poderá rotular as lideranças e dar-lhes um cartão oficial, mas também retirar a sua aprovação em caso de violação da carta e do código de ética do conselho.

Dependendo de seu papel - imãs que lideram a oração, imãs que são pregadores e imãs que são palestrantes - eles serão solicitados a atestarem diferentes níveis de conhecimento do francês e  serão obrigados a apresentar diplomas até a formação universitária.

A adesão do CFCM a esta nova organização de culto muçulmano na França marcaria uma vitória de Emmanuel Macron, alvo de críticas às vezes violentas de muçulmanos em vários países por seus comentários sobre um Islã "em crise" e seu discurso contra o Islã radical.

(Com informações da AFP)

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