Acessar o conteúdo principal

Ter 20 anos em 2020: para 75% dos franceses esta é a "geração Covid sacrificada”

Na imprensa francesa desta sexta-feira a geração Covid, ou os jovens que completaram 20 anos em plena pandemia e que vão pagar caro as consequências dessa crise inédita.
Na imprensa francesa desta sexta-feira a geração Covid, ou os jovens que completaram 20 anos em plena pandemia e que vão pagar caro as consequências dessa crise inédita. © Fotomontagem RFI
Texto por: RFI
4 min

A atual pandemia cria uma “geração Covid”, isto é, jovens que têm cerca de 20 anos, estão começando a construir sua vida e vão pagar caro as consequências dessa crise inédita. Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (20) mostra que 75% dos franceses acham que esta será uma “geração sacrificada”.

Publicidade

Le Figaro publica um dossiê especial "Ter 20 anos em 2020", a "geração Covid", que vive atualmente isolada. Uma sondagem encomendada e publicada pelo jornal indica que 85% dos jovens entrevistados acreditam que eles sofrerão muitas das consequências provocadas pela pandemia. 2020 é o ano da desordem, marcado pela Covid, mas também pelo desemprego, terrorismo e crise climática, vários fatores que preocupam quem tem entre 15 e 25 anos.

“Vinte anos é a idade de todas as possibilidades”, afirma a reportagem, mas a geração atual vive um período de interdição que contraria todos os seus sonhos, desejos e planos pessoais e profissionais. Um grande número de jovens experimenta um sentimento de desolação e até de abandono.

Sociólogos entrevistados pelo diário dizem que, antes mesmo da pandemia, a juventude atual, que nasceu com a internet e com os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, “já tinha a impressão de viver o fim de uma época”.  “A Covid veio coroar esse período de angústia e o sentimento de instabilidade do mundo”, afirma ao Figaro uma estudante de filosofia de 19 anos.

Alta taxa de desemprego

É entre os jovens de 20 a 24 anos, que representam 5,6% da população francesa, que a taxa de desemprego mais cresceu no último ano, com uma alta de 2,6%. No terceiro trimestre deste ano, 21,8% das pessoas nessa faixa etária estava sem trabalho.

Sem indicar se há uma relação de causa e efeito, o jornal revela que em matéria de política, os jovens tendem ao voto de protesto: 35% deles votaria no partido de extrema esquerda França Insubmissa e 33% na Reunião Nacional de extrema direita nas próximas eleições presidenciais.

O lockdown que obriga os estudantes a viverem isolados, em pequenos quartos nas residências universitárias ou na casa dos pais, e a seguir os cursos on-line, provoca depressão. Muitos, principalmente os filhos de famílias modestas, vivem uma situação de grande precariedade.

Em seu editorial de capa, Le Figaro diz que o sistema educativo, que já era deficitário antes da epidemia, deixa com frequência os jovens sozinhos diante da tela de seus computadores, “sujeitos ao projeto de dominação dos chamados Gafa”, os gigantes da internet (Google, Apple, Facebook e Amazon). “A mobilidade social tão cara à Educação Nacional francesa já teria se transformado em uma utopia de um mundo antigo? “pergunta o texto.

Depressão

Uma plataforma de ajuda registra neste momento 140 telefonemas por dia, principalmente de estudantes angustiados com o futuro. A situação preocupa o governo. "Nós queremos evitar uma terceira onda da epidemia que seria uma onda de saúde mental", preveniu o ministro da Saúde francês, Olivier Véran.

Mas a criatividade e o engajamento podem ajudar essa juventude a resistir, acredita Le Figaro. O diário cita como exemplo jovens que se transformaram em ícones da geração Z e são seguidos por milhões de pessoas no Youtube, Instagram ou Tiktok. "Acredito que o melhor ainda está por vir, o otimismo vem com a maturidade", declara a jovem youtuber francesa Léna Situations, de 22 anos, ao Figaro, autora do livro "Avoir 20 ans" (Ter 20 anos) que é o mais vendido atualmente na França.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.