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"I want to break free": Em pleno lockdown, centenas de pessoas se reúnem em festas clandestinas em Paris

Os participantes pagaram € 15 (cerca de R$ 100) pelo ingresso para a festa clandestina "I want to break free".
Os participantes pagaram € 15 (cerca de R$ 100) pelo ingresso para a festa clandestina "I want to break free". AFP - DAPHNE ROUSSEAU
Texto por: RFI
4 min

A França está em regime de confinamento desde o final de outubro para tentar conter a segunda onda da pandemia de Covid-19. No entanto, nem todos estão dispostos a respeitar as rígidas medidas sanitárias impostas pelo governo. Neste fim de semana, cerca de 300 pessoas se reuniram em uma festa clandestina em Paris. Esse tipo de evento vem se multiplicando na capital francesa.

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Batizada “I want to break free”, em homenagem à musica interpretada por Fred Mercury no grupo Queen, o evento ilegal aconteceu na noite de sábado (21) em uma linha férrea abandonada no sul da capital. Os participantes, que pagaram € 15 (cerca de R$ 100) pelo ingresso, receberam as indicações pela internet: chegar discretamente, em pequenos grupos, entre 20h e 21h.

Os organizadores fizeram tudo para não chamar a atenção. Afinal, eles não queriam ser descobertos como, na semana passada, quando outros festeiros tiveram que abandonar às pressas uma balada em uma casa alugada na periferia de Paris, após os vizinhos terem alertado a polícia.

A festa deste fim de semana mais parecia uma rave dos ano 1990. A estrutura de concreto que forma um túnel em uma parte da linha férrea foi decorada com guirlandas luminosas, neons e desenhos psicodélicos projetados no teto. Os organizadores pensaram em tudo, inclusive na instalação de um bar e um palco para o DJ.

“Decidimos entrar em resistência e lançar um apelo para nos escondermos juntos e festejarmos, pois os jovens não têm mais nenhum lugar para se reunir e existir. Eles sentem muita falta e nós tentamos proporcionar isso, apesar dos riscos”, disse Alexandre, um dos organizadores, que não revelou seu verdadeiro nome. “Agora nós desenvolvemos essa expertise. Em menos de duas horas podemos nos instalar em qualquer lugar e fazer uma festa discretamente, como essa aqui”, completou em entrevista à agência AFP.

O organizador faz parte de um coletivo conhecido por promover festas em locais abandonados em Paris e arredores. O grupo se reúne por meio de uma página Facebook que tem acesso restrito. Os fundadores se reivindicam como uma formação heterogênea, composta por membros vindos de vários horizontes. Longe de ser um gueto alternativo, na festa de sábado era possível ver desde balzaquianos com look CDF até militantes da esquerda radical, passando por grupos LGBTQ+ e alguns jovens de periferia.

“Essa festa é uma questão de saúde mental para mim”, desabafa um dos participantes, que afirma não ter saído de seu apartamento há um mês. “Aqui eu sinto uma euforia pura. É o único momento que me permite esquecer tudo e parar de pensar nos números de mortos e nas hospitalizações”, completou, cercado por centenas de participantes, a maioria sem máscara de proteção.

R$ 100 mil de multa e um ano de prisão

“Isso é escandaloso”, desabafa o prefeito do 13° distrito de Paris, Jérôme Coumet, onde aconteceu a festa. Em entrevista à radio FranceInfo, ele lembra que que não apenas a celebração representa um “exposição aos riscos sanitários”, como também um risco de acidente, já que o evento acontece em um local que não está preparado para receber tanta gente. “Se algo der errado, os serviços de socorro nem podem chegar lá facilmente”.

As autoridades lembram que as aglomerações estão proibidas na França e os organizadores dessas festas, se forem flagrados, estão sujeitos a uma multa de € 15 mil (quase R$ 100 mil) e um ano de prisão por colocarem em risco a vida dos participantes.

A festa “I want to break free” aconteceu sem problemas. Mas a festa descoberta no final de semana anterior, interrompida pelos vizinhos que chamaram a polícia, e que também reunia 300 pessoas, terminou com duas pessoas condenadas.

Não há estatísticas sobre o número de festas clandestinas nem sobre o número de pessoas contaminadas pela Covid-19 nesse tipo de evento na capital francesa.

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